Sociedade

Tráfico de diamantes nas forças armadas. GNR anuncia detenção de militar em formação

8 novembro 2021 12:56

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

A GNR anunciou que a PJ deteve um "guarda-provisório" em formação na operação que desmantelou rede de tráfico de diamantes entre militares na República Centro-Africana

8 novembro 2021 12:56

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

A GNR anunciou que a Polícia Judiciária deteve um "guarda-provisório" em formação, desde junho de 2021, no 44.º Curso de Formação de Guardas em Portalegre, que ingressou na formação proveniente das Forças Armadas. "A Guarda mostra total disponibilidade para colaborar com a Polícia Judiciária, na investigação em curso", diz a GNR em comunicado.

Esta detenção foi realizada no âmbito da megaoperação da PJ, a "Operação Míriade", que está a ser realizada esta segunda-feira em várias instituições militares, entre elas no Regimento de Comandos, na Carregueira (Sintra), por suspeitas de tráfico de diamantes e ouro em missões militares noutros países, como na República Centro-Africana.

É a maior operação da Polícia Judiciária deste ano. "A ação desenvolveu-se na região de Lisboa, Funchal, Bragança, Porto de Mós, Entroncamento, Setúbal, Beja e Faro, contando com a participação de cerca de trezentos e vinte inspetores e peritos da Polícia Judiciária", refere esta polícia.

A PJ esclarece que entre as cem buscas, noventa e cinco são domiciliárias e cinco não domiciliárias.

Há também dez mandados de detenção emitidos pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa.

"Está em investigação uma rede criminosa, com ligações internacionais, que se dedica a obter proveitos ilícitos através de contrabando de diamantes e ouro, tráfico de estupefacientes, contrafação e passagem de moeda falsa, acessos ilegítimos e burlas informáticas, tendo por objetivo o branqueamento de capitais", acrescenta a PJ.

Os militares terão usado aviões militares das missões humanitárias da ONU para traficar diamantes e ouro. São os chamados "diamantes de sangue", traficados de um país em conflito armado. Também haverá tráfico de droga envolvido.

Os suspeitos aproveitaram o facto de os aviões militares não estarem sujeitos a controlo alfandegário, aproveitando depois para vender os diamantes e o ouro no norte da Europa, nomeadamente em Antuérpia, na Bélgica.

O esquema envolve o branqueamento de capitais através da compra de bitcoins, a criptomoeda descentralizada, sendo um dinheiro eletrónico para transações ponto a ponto, sem controlo financeiro.

Depois do caso do roubo das armas de guerra de Tancos este é um novo escândalo que envolve militares portugueses.

Entretanto, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, em reação à operação da Polícia Judiciária garantiu que esta não afeta a imagem internacional do país. "Se as autoridades judiciais entendem que há indícios que exigem investigações, essas investigações devem ser feitas. Vigora o princípio da separação de poderes, portanto, não tenho nada a dizer sobre investigações judiciais em curso", declarou aos jornalistas à margem de uma conferência em Coimbra.