Sociedade

Relatório alerta para aumento do consumo de drogas e álcool entre os portugueses mais jovens

27 janeiro 2021 13:12

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

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Há uma maior circulação de drogas no mercado nacional, explicadas pelo crescente uso da Internet na comercialização das substâncias psicoativas. Número de overdoses aumenta há três anos

27 janeiro 2021 13:12

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

O Relatório Anual sobre a Situação do País em Matéria de Drogas e Toxicodependência, que é esta quarta-feira apresentado aos deputados na Assembleia da República, mostra que o consumo de álcool e de drogas está a subir entre as camadas mais jovens da população.

De acordo com o SICAD (Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências), registou-se o aumento do consumo de outras drogas, que não canábis, nos alunos de 13 aos 18 anos, bem como a diminuição do risco percebido associado ao consumo de drogas nos alunos de 16 anos. "Houve, entre estes, uma evolução nacional dos consumos menos positiva do que a europeia", refere o documento.

Já entre os jovens de 18 anos, houve um acréscimo do consumo de canábis entre 2015 e 2019.

Também a mortalidade relacionada com o consumo de drogas, sofreu uma evolução negativa: apesar de em Portugal continuarmos a registar números absolutos muito baixos, há três anos consecutivos que o número de overdoses aumenta, com as overdoses de opiáceos a duplicarem entre 2017 e 2018 e as de cocaína a subirem pelo terceiro ano consecutivo.

Registe-se ainda o acréscimo de novos utentes em tratamento nos anos de 2018 e 2019 após o aumento de readmitidos em 2017 e 2018, e a descida, pelo segundo ano consecutivo, das contraordenações por consumo de drogas.

No domínio da oferta, vários indicadores apontam para uma maior circulação de drogas no mercado nacional, explicadas pelo crescente uso da Internet na comercialização das substâncias psicoativas, eventuais alterações ao nível da produção interna de canábis e do papel do país nas rotas do tráfico internacional.

Em relação ao álcool, o relatório revela que entre 2017 e 2019 verificaram-se algumas "evoluções preocupantes". Houve um aumento entre 2015 e 2019 do consumo de álcool, e do binge [consumo excessivo de álcool em pouco tempo] e da embriaguez nos jovens de 18 anos, assim como em jovens alunos de determinadas idades, em particular nos de 16 anos.

Também se verifica uma evolução dos consumos "menos positiva nas raparigas, assistindo-se nesta etapa do ciclo de vida a um atenuar das diferenças de género nos padrões de consumo de álcool".

O SICAD alerta que também a evolução dos consumos nos alunos portugueses foi menos positiva do que a do conjunto dos europeus.