Sociedade

Restaurantes têm de fechar às 22h30 na passagem do ano. "Já havia reservas feitas e estão a ser canceladas, isto é decapitar o sector"

17 dezembro 2020 23:45

kenny luo-unsplash

Restaurantes terão de encerrar mais cedo na noite de fim de ano, e nos primeiros três dias de janeiro às 13h00. Associação Nacional de Restaurantes diz que o pequeno "balão de oxigénio" esperado neste período está a resultar numa "situação catastrófica"

17 dezembro 2020 23:45

O Governo decidiu "puxar o travão" e apertar nos horários dos restaurantes na noite da passagem do ano. A 31 de dezembro os restaurantes em Portugal continental terão de encerrar às 22h30, e não à 1h00 da manhã como estava previsto há duas semanas, segundo a decisão tomada esta quinta-feira em Conselho de Ministros sobre as novas regras para a quadra festiva.

Também nos dias 1, 2 e 3 de janeiro os restaurantes terão de encerrar às 13h00, podendo permanecer a partir daí abertos apenas para entregas ao domicílio, e não às 15h30 conforme se tinha antecipado.

A Associação Nacional de Restaurantes (ProVar) recebeu "com estupefacção" as novas medidas anunciadas por António Costa, trazendo um aperto de regras para o Ano Novo, e por outro lado maior tolerância relativamente ao Natal.

"Já havia reservas feitas para a noite de fim de ano, estamos a acompanhar dezenas de donos de restaurantes que estão a ligar a dizer que as reservas estão a ser canceladas", adianta Daniel Serra, presidente da ProVar. "Os clientes ao procurar um restaurante obviamente que tinham a expectativa de estar lá até à 1h00 da manhã, e passar o ano".

Igualmente contestada pela Associação Nacional de Restaurantes é a decisão dos restaurantes terem de fechar às 13h00 nos dias 1, 2 e 3 de janeiro, em vez das 15h30 como estava previsto.

"É uma situação catastrófica. Para o sector este período era um pequeno balão de oxigénio, qual era a diferença de podermos estar abertos até às 15h30 nestes dias? Fechar às 13h00 é pior porque vai provocar ajuntamentos, e para nós vai ser mais um trimestre perdido", frisa Daniel Serra, lembrando que os restaurantes já tinham investido a reforçar os stocks para estes dias tendo em conta as reservas, que estão agora a ser canceladas.

"O primeiro-ministro acabou por dizer que as festas de Natal vão provocar um aumento de infectados, reconhecendo que são mais originados no seio familiar. E se queremos proteger também a economia, era preferível haver maiores restrições no Natal e maior abertura no ano novo", sustenta o presidente da Associação Nacional de Restaurantes.

Segundo Daniel Serra, a redução de horários para os restaurantes na noite da passagem de ano e nos primeiros dias de janeiro foi um golpe duro para os restaurantes, a somar-se às dificuldades que enfrentaram ao longo da pandemia.

"Isto está a decapitar os restaurantes, e não vemos a contrapartida com medidas de apoio robustas", salienta o presidente da ProVar, frisando que as restrições que têm sido anunciadas pelo Governo "estão a levar o sector para um caminho em que não vemos a luz ao fundo do túnel, e a levar as empresas à decisão de despedir trabalhadores ou de abrir falência".