Sociedade

Ano letivo: um regresso, regras distintas

13 setembro 2020 17:03

Um pouco por todo o mundo, países começaram a reabrir escolas ou vão fazê-lo em breve. Com mais dúvidas que certezas

13 setembro 2020 17:03

No primeiro pico da pandemia, encerrar escolas foi uma das medidas mais repetidas de país para país como forma de tentar controlar a propagação do vírus. Na Europa, Suécia, Islândia e Finlândia foram os únicos países a manter alguns estabelecimentos de ensino (dirigidos aos alunos mais novos) sempre a funcionar. E à medida que as economias eram retomadas, também o regresso às aulas presenciais foi ensaia­do, de forma quase sempre parcial e faseada. Foi o caso dos países nórdicos, República Checa ou Portugal. Já em Espanha e Itália as aulas presenciais não voltaram a realizar-se até ao final do ano letivo em nenhum nível de ensino. Segundo um inquérito do ECDC (Euro­pean Center for Disease Control) rea­lizado a 6 de agosto sobre a rea­bertura, e que foi respondido pelas autoridades de 15 países, seis registaram surtos em escolas e nove não identificaram nenhum (apenas casos esporádicos, sem infeções secundárias dentro do estabelecimento). No estudo, referido por Carla Nunes, da Escola Nacio­nal de Saúde Pública, concluiu-se também que esta retoma não originou um aumento significativo de casos na comunidade.

Ainda que haja princípios de precaução partilhados por todos os países que já iniciaram o ano letivo ou que estão a prepará-lo — limpeza dos espaços e higie­nização das mãos, separação dos alunos por grupos e restrições em cantinas e ginásios —, as normas acabam por variar. Por exemplo, o uso da máscara é obrigatório a partir de idades diferentes (6 anos em Espanha e Itália, 10 em Portugal, 11 em França) e em alguns países, como Dinamarca, Norue­ga e Sué­cia, nem sequer está previsto. Já na Alemanha, depende dos espaços das escolas. O mesmo se aplica ao mínimo de distanciamento físico recomendado, que vai desde um metro, se possível, nas escolas portuguesas até dois metros noutras. Em Espanha, alunos e professores medem a temperatura diaria­mente, por cá o guião para as escolas estabelece que essa não é uma medida obrigatória “nem recomendada”. Os dias de quarentena também variam e estão em evolução, oscilando entre os 7 e os 14 neste momento. E há sistemas educativos que pre­veem o regresso exclusivamente presencial e outros que avançaram com um regime misto e em que os alunos alternam entre idas à escola e estudo em casa.