Sociedade

Associação de hotéis e empreendimentos turísticos do Algarve apoia providência cautelar para impedir injeção de € 1,2 milhões na TAP

22 junho 2020 19:32

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Presidente da direção da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve afirma que se “revê” nos fundamentos da providência cautelar anunciada pelo líder da Associação Comercial do Porto contra a injeção de 1,2 mil milhões de euros do Estado na TAP. Plano de retoma de voos para o Aeroporto de Faro era apenas de 3%, "uma desconsideração para os algarvios" diz Eliderico Viegas

22 junho 2020 19:32

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Eliderico Viegas manifesta “todo o seu apoio” à Associação Comercial do Porto na ação interposta no Supremo Tribunal Administrativo para impedir travar a injecção de € 1,2 mil milhões de euros do Estado na TAP. Caso seja aceite a acção judicial, decisão que deverá ser conhecida esta terça ou quarta-feira, o Governo ficará impedido cumprir a medida do Orçamento Suplementar que previa o financiamento à companhia de bandeira portuguesa.

Conforme referiu ao Expresso este sábado, Nuno Botelho, presidente da Associação Comercial do Porto e primeiro signatário da providência cautelar, “o objectivo é travar a injecção do Estado enquanto não for assegurado que a TAP serve o interesse nacional no seu todo e não apenas a região de Lisboa”. Para o líder da mais antiga associação empresarial do país, os portugueses não podem deixar que a TAP “seja um Novo Banco, como não pode ser mais uma PT, um BES ou um BPN”.

Agora o apoio chega do sul. O presidente da direção da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA) afirma ao Expresso que se “revê e preconiza” os fundamentos da providência cautelar anunciados pelo líder da Associação Comercial do Porto, entre os quais sublinha o desrespeito pelo princípio do equilíbrio territorial no plano de retoma dos voos da TAP, que concentra 96 por cento dos voos internacionais no aeroporto de Lisboa, marginalizando o aeroporto do Porto e ignorando os demais.

“No caso do Algarve, agora tal como no passado, a TAP apenas se preparava para mais uma vez dar resposta a 3% do movimento de passageiros no aeroporto de Faro, razão pela qual os contribuintes não residentes em Lisboa não podem pagar mais um investimento numa companhia aérea falida e que concentra quase toda a sua operação na capital”, defende Eliderico Viegas, sublinhando que se a TAP acumula prejuízos crónicos “não é certamente com as rotas residuais de e a partir de Faro”.

Sem uma estratégia verdadeiramente nacional e que “sirva os interesses económicos do país como um todo e das regiões mais dependentes da atividade turística em particular, como é o caso do Algarve”, o responsável da AHETA defende que não há um racional de negócio no investimento sem retorno numa “companhia regional”, alegando que, se é para ajudar companhias aérea que prestam serviço público ao país, “mais vale investir nos aeroportos de cada uma das regiões, mediante planos de voo que melhor sirvam os interesses locais”.

“Até admito que o aeroporto de Lisboa seja um hub de boa parte das rotas de longo curso internacionais. Mas que lógica tem que os turistas que vêm para o Algarve de Paris, Londres, Munique, Roma ou Madrid sejam obrigados a fazer uma paragem de horas em Lisboa?”, questiona Eliderico Viegas, que não esconde a sua perplexidade que companhias como a British Air Lines, a France Air Lines, a Luthansa ou a Brussels considerem os voos para Faro rentáveis e a TAP não. “Há aqui algo que não bate certo, pois certamente as companhias de bandeira, tal como as low-cost que viajam para o Algarve, não nos estão a fazer um favor”.

“A TAP é a companhia aérea de Lisboa. Com a aprovação desta injecção de € 1,2 mil milhões do Orçamento Suplementar teríamos todos os portugueses, do Minho ao Algarve e às ilhas, a financiar a TAP. Isso seria uma injustiça inadmissível. E os problemas de justiça tratam-se nos tribunais”, sublinhou este sábado Nuno Botelho, que adianta a população e as instituições do Porto e norte e já estão um bocado cansadas de conversas vagas e andar constantemente a queixar-se.

“Já falámos com a administração da TAP, já falámos com o Governo e, no fim, continua tudo na mesma. Ou seja, continuam todos os voos centrados em Lisboa. Não é um problema ideológico ou partidário, é um debate que atravessa todos os governos dos últimos 20 anos. Era altura de tomar medidas concretas. É o que estamos a fazer”, assegurou Nuno Botelho, que alega que “todas as alternativas são melhores do que uma TAP Lisboa dependente e falida” e que “as injustiças tratam-se nos tribunais”.