Sociedade

Pedro Siza Vieira: “Somos dos países da Europa em que mais pessoas nunca utilizaram a internet”

3 março 2020 18:19

octavio passos

António Costa, acompanhado por alguns ministros do seu executivo, esteve esta terça-feira na Alfândega do Porto, onde acompanhou a 3.ª Conferência do Fórum Permanente para as Competências Digitais

3 março 2020 18:19

Rúben Rodrigues tem 15 anos. Joana Sousa tem 14, idade partilhada com Filipa Ferreira. Os três jovens, alunos da Escola Básica e Secundária do Levante da Maia, são os responsáveis pelo desenvolvimento da app “Only Heal”. Acompanhados pela professora de Ciências Naturais “apaixonada pelas novas tecnologias”, Emerência Teixeira, marcaram presença esta terça-feira, na Alfândega do Porto, onde se realizou a 3.ª Conferência do Fórum Permanente para as Competências Digitais, iniciativa realizada no âmbito do INCoDe.2030.

A plataforma, explica Rúben ao Expresso, “facilita o contacto entre o farmacéutico e o utente a partir de um chat”, permitindo aos utilizadores “guardar também os seus planos de toma de medicamentos e partilhar as suas prescrições médicas com os farmacéuticos”.

Rúben Rodrigues e Joana Sousa, dois dos criadores da "Only Heal", acompanhados pela professora Emerência Teixeira

Rúben Rodrigues e Joana Sousa, dois dos criadores da "Only Heal", acompanhados pela professora Emerência Teixeira

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A aplicação móvel criada por Rúben, Joana e Filipa só é possível graças ao projeto “Apps for Good”, implementado em instituições de ensino básico e secundário. O programa, contextualiza a gestora Matilde Buisel, “pretende desenvolver as competências digitais e sociais dos alunos, de forma a prepará-los para os novos desafios da sociedade”.

A metodologia de trabalho, acrescenta a responsável da “Apps for Good” em Portugal, “coloca os alunos a trabalhar em equipa, para identificarem problemas da comunidade e desenvolverem aplicações para smartphones”.

Da mesma escola, também a equipa constituída por Carolina Oliveira, Gonçalo Rocha e Rita Polido tiveram a oportunidade de mostrar as potencialidades da app “MustBeGreen”, onde proprietários de terrenos florestais podem encontrar empresas disponíveis para efetuar uma limpeza efetiva dos mesmos.

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Estes foram apenas dois das dezenas de projetos de inovação tecnológica que António Costa teve a oportunidade de ver de perto, acompanhado pelos olhares atentos dos ministros Pedro Siza Vieira, Manuel Heitor e Tiago Brandão Rodrigues.

Durante a sessão de abertura da terceira conferência do Fórum Permanente para as Competências Digitais, o primeiro-ministro disse ter chegado "o momento de nos focarmos nos grandes desafios estratégicos que temos pela frente”, entre os quais o da “transição para sociedade digital”.

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António Costa acredita que “esta nova sociedade digital vai ter um impacto muito grande na reorganização do trabalho e vai ser uma grande oportunidade para melhorar os níveis de conciliação entre a vida pessoal, profissional e familiar”.

A transição, prossegue o primeiro-ministro, “tem de ser uma oportunidade para combater desigualdades existentes, quer do ponto de vista da coesão territorial, quer do ponto de vista da inclusão ativa de todos na sociedade”. É por isso que, nesta quinta-feira, o Conselho de Ministros “irá aprovar o programa de ação para a transição digital”, disse Costa.

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Já o ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital frisou que “a transformação das sociedades e das economias é talvez o mais importante desafio que os países enfrentam”, de forma a “preparar hoje os líderes digitais do futuro para um mundo completamente diferente e que ainda não sabemos como vai funcionar”. É por isso que, garante Pedro Siza Vieira, “na orgânica do Governo a transição digital convoca um conjunto de áreas governativas, para trabalharem de forma ainda mais articulada e coordenada para fazer face a estes desafios”.

Pedro Siza Vieira salientou ainda que Portugal terá de “fazer um esforço muito grande de inclusão e dar literacia digital em muito maior escala a toda a sociedade”, uma vez que “somos um dos países da Europa em que mais pessoas nunca utilizaram a internet”.