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Sociedade

Camionistas devem “dar um passo atrás” e desconvocar a greve para “dar dois em frente”

Luís Marques Mendes defende que o Sindicato dos Motoristas de Matérias Perigosas deve desconvocar a greve e incentivar as negociações com o Governo, que desta vez, acrescenta o comentador, tem uma estratégia “musculada” e não será novamente “apanhado desprevenido”

O Sindicato dos Motoristas de Matérias Perigosas e o Governo têm uma reunião agendada para esta segunda-feira, na tentativa de travar a greve anunciada para o dia 12 de agosto. Na opinião de Luís Marques Mendes, “se a inteligência funcionar, o sindicato dá um passo atrás”, o que passa por desconvocar a paralização, “para poder dar dois em frente”. E que dois passos são esses? “Por um lado, incentivar as negociações e, por outro, ficar sempre com a possibilidade de convocar uma greve no futuro, caso seja necessário”, explicou Mendes, no habitual espaço de comentário do “Jornal da Noite”.

“Amanhã veremos se ganhou a inteligência ou se prevaleceu a teimosia”, prosseguiu o comentador da SIC, deixando o alerta: “o sindicato pode, desta vez, ter uma derrota pesada, porque as condições são bem piores do que eram na Páscoa, quando ocorreu a greve anterior”. O que mudou, enquadra Marques Mendes, é que naquela altura os motoristas de matérias perigosas “tinham a seu favor a opinião pública”, algo que “agora não acontece”, por três fatores:

Em primeiro lugar, diz, porque “esta greve é muito impopular, irrita as pessoas e nenhum português compreende que se esteja a fazer uma greve em agosto de 2019 para aumentos salariais de 2021 ou 2022”. Segundo, “o Governo, na Páscoa, decretou serviços mínimos muito mínimos, mas agora está preparado para decretar serviços mínimos muito mais alargados”. Por fim, conclui o comentador, perdeu-se o fator surpresa e, se “o Governo foi apanhado desprevenido da primeira vez”, “neste momento tem tudo programado e planeado ao pormenor”.

Marques Mendes acredita que o Estado está preparado para apresentar “uma forte mobilização de forças armadas e forças de segurança para evitar incidentes e bloqueios”, além de contar com “muitos agentes militares e da GNR com cartas de condução especializadas que podem conduzir vários camiões, de forma a garantir o abastecimento”.

No entendimento do comentador, o Governo quer fazer deste braço de ferro “uma demonstração de músculo e força”, num “exercício de autoridade” semelhante ao que fez com os professores. “Toda a gente viu que na crise dos professores a oposição sucumbiu”, lembrou Mendes.

Tem dúvidas, sugestões ou críticas? Envie-me um e-mail: amcorreia@expresso.impresa.pt

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