Sociedade

Os refugiados na hora, difícil, da chegada

Nos últimos quatro anos, Portugal quis destacar-se pela boa vontade no acolhimento de refugiados. No entanto, de norte a sul do país, verifica-se todos os dias que esta não é suficiente. Retrato de um país que escancarou as portas, mas só começa agora a arrumar a casa

16 junho 2019 8:35

Catarina Fernandes Martins e Tiago Carrasco (Bolsa de Investigação Jornalística da Fundação Calouste Gulbenian)

Antes de rumarem em direção à Suécia, Ghalia Taki e o marido informaram-se sobre a rota mais favorável para uma viagem com documentos falsos. O casal sírio vivia há já alguns anos com o filho e a mãe de Ghalia no Gana, de onde tentaram sair após o colapso económico do país, em 2011. De regresso à Síria, esperava-os o início de uma guerra civil que se arrasta até hoje e que os deixou sem casa. Novamente no país africano, o casal começou a pensar numa solução para estabilizar as suas vidas num destino seguro. Estava na altura de tentar a Europa. Tendo escolhido a Suécia como destino final, todos lhes sugeriram que a escala em Lisboa seria aquela onde teriam menor probabilidade de encontrar problemas. Mas quando aterraram em Portugal, em agosto de 2014, foram imediatamente afastados para um interrogatório que demorou cerca de 13 horas, durante as quais a família pouco ou nada percebeu acerca do que lhes acontecia.

“Falavam muito pouco inglês, não havia tradutores. Lembro-me apenas, e lembro-me muito bem, de uma frase que os polícias diziam: ‘Vocês fizeram errado e têm de pagar as consequências das vossas decisões’”, diz a síria ao Expresso.

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