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Selfies de Marcelo no bairro da Jamaica indignam agentes da PSP

Sindicatos e agentes da PSP reagem com palavras violentas à ida do Presidente da República ao bairro da Jamaica. Sentem-se “desiludidos”, “discriminados” e “ofendidos” e lembram que não têm tratamento semelhante quando as forças policiais são agredidas em ações policiais

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

A visita-relâmpago de Marcelo Rebelo de Sousa ao bairro da Jamaica (Seixal) está a causar indignação a agentes e sindicatos da PSP. O Expresso falou com vários elementos desta força policial que se sentem "discriminados", "ofendidos" e "desiludidos" com a ação do Presidente da República, principalmente com as selfies tiradas com Hortêncio Coxi, filmado no vídeo polémico há duas semanas no bairro.

"Não temos um tratamento igual do senhor Presidente da República quando os nossos agentes são maltratados e alvos de agressões. Merecíamos uma atenção especial", queixa-se Peixoto Rodrigues, do Sindicato Unificado da Polícia.

Também Paulo Rodrigues, presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia, é violento com a visita ao bairro. " Sinto-me discriminado. Já pedi ao Presidente da República reuniões, já pedi que interviesse para resolver questões da Polícia, já o convidei várias vezes, publicamente, para aparecer um dia, sem avisar, e junto com uma patrulha, fazer um turno de serviço e ir resolver ocorrências, ele nunca aceitou. Mas foi ao bairro da Jamaica!", escreveu no Facebook.

Fontes da PSP garantem que Hortêncio Coxi já foi detido várias vezes, por tráfico de heroína, tentativa de roubo ou por participação num motim contra a polícia, em 2009. "Existe ainda um vasto rol de crimes anteriores não referenciados nesta lista que ainda hoje se arrastam em diligências processuais", confidencia um responsável.

No vídeo de quatro minutos de há duas semanas, Coxi e a família surgem a ser agredidos numa ação policial no bairro, imagens que geraram polémica e levaram à realização de manifestações em Lisboa e no Seixal contra a violência policial. No auge da polémica, o advogado de Hortêncio Coxi, garantiu ao Expresso que iria apresentar queixa-crime contra os polícias que o agrediram.

Já um responsável daquela força de segurança, que não quis ser identificado, lembra que o caso está a ser alvo de um inquérito interno na PSP. "Pode haver até agentes condenados por aquela ação policial no bairro. Mas o Presidente da República fez mal em aparecer ao lado da família antes de tudo ficar esclarecido", critica.