Exposições

“Animal Farm”, o zoo da vida contemporânea de Chou Ching-hui

15 julho 2022 19:30

Cristina Margato

Cristina Margato

texto

Jornalista

Chou Ching-hui pensa nas fotografias como cenas de filmes e recorre a várias citações da arte ocidental, como é o caso da reprodução de um quadro de Bacon

O Museu do Oriente apresenta a exposição “Animal Farm”, onde Chou Ching-hui reencena as grades da vida contemporânea e os seus desafios num zoo de Taiwan

15 julho 2022 19:30

Cristina Margato

Cristina Margato

texto

Jornalista

A ideia de tirar os tigres, os macacos ou os leões do jardim zoológico para colocar pessoas e fotografá-las nos seus próprios labirintos mentais, sociais, económicos podia ter sido facilmente abandonada, não fosse a obstinação de Chou Ching-hui (n. 1965). As conversas que desenvolveu com o diretor do jardim zoológico de Taipé, no sentido de o convencer a ceder-lhe o espaço dos animais, para neles fotografar pessoas, terminou um ano após terem começado, quando este lhe disse que ele teria de contratar um psicólogo para tratar os animais, à semelhança do que também Ang Lee fizera com o tigre que usou nas filmagens de “A Vida de Pi”.

Chou Ching-hui não tinha orçamento para fazer face a tal pedido, mas a ideia de que até os tigres precisavam de um psicólogo, ou de que os coalas vivem melhor se tiverem pintadas nas paredes do seu habitat as paisagens que representam as quatro estações, reforçava a intenção do artista de que a saúde mental se transformara na doença do século XXI. As palavras do diretor do zoo, que agora Chou Ching-hui recorda a rir, em entrevista ao Expresso, não conseguiram demovê-lo. Tendo a alternativa passado por gastar os quatro anos seguintes a angariar dinheiro e a convencer o diretor de um zoo mais pequeno de Taiwan a deixá-lo executar “Animal Farm” (2015), agora em exposição no Museu do Oriente, em Lisboa.