A Revista do Expresso

César Mourão: “Em nada do que faço sinto a obrigação de ter graça”

2 dezembro 2022 23:02

Cristina Margato

Cristina Margato

texto

Jornalista

Tiago Miranda

Tiago Miranda

fotografias

Fotojornalista

A poucos dias do Natal, César Mourão tem uma série de televisão, uma digressão dos Commedia a La Carte e a nova versão do grupo para os mais novos, prepara um álbum, um concerto... um vinho. Conversámos com o ator ao longo de um fim de semana no Porto

2 dezembro 2022 23:02

Cristina Margato

Cristina Margato

texto

Jornalista

Tiago Miranda

Tiago Miranda

fotografias

Fotojornalista

N

o estúdio do Serafim, com o rio Douro à distância de alguns metros, César Mourão ouve alguns dos temas em que esteve a trabalhar nos últimos dias. É sábado de manhã, e o dia promete ser longo. O descanso ficará adiado até à terça-feira seguinte. “Na semana passada cruzei-me com o filho do casal a quem dedico esta canção: ‘O senhor veio ter comigo a chorar’.” As músicas que César Mourão está a gravar, e que irá reunir num “discozito”, nasceram no programa “Terra Nossa”. Serafim copia vozes de um refrão para o outro, e ouve-se um tema. “É sobre uma loja em Ponte da Barca onde não cabem duas pessoas. Apanhei a Maria na rua e disse: ‘Vai com pressa.’ Vou abrir a minha loja, respondeu. É uma loja de flores mas tem tudo menos flores”, explica César Mourão. Ouve-se: “Tenho tudo/ Vendo mundo/ Mais do que o povo compraria/ (...) O espaço vai para muito mais além da pequena loja na avenida”. O próximo tema é sobre um cão, de Mesão Frio. “Naquele dia não havia ninguém que me inspirasse, e de repente lembrei-me de um cão de rua que veio ter connosco, e nunca mais nos largou durante os dois dias que lá estivemos. Acabei por fazer uma música sobre a forma como o cão vê Mesão Frio. “Sei ir para todo o lado/ Nunca me engano/ (...) Sei que os miúdos da escola correm para me ver passar/ Sei que a D. Amélia insiste em dar-me de comer/ Sei que abano sempre a cauda/ Para lhe agradecer/ Sei de cor quantas travessas tem a rua do balcão/ (...) Sei quem se confessa ao padre/ Sei que a dona Rosa sabe que a filha já fuma/ Sei que das mínis do café não sobrou nenhuma/ (...).