Presidenciais 2021

Marcelo admite confinar mais o País (Escolas? "Não posso nem devo dizer mais")

17 janeiro 2021 17:52

tiago miranda

Marcelo Rebelo de Sousa chegou ao Hospital de Santa Maria como candidato mas, perante os números, falou como Presidente e antecipou-se ao Governo. "Ou a sociedade percebe (e muda os comportamentos) ou os políticos percebem mesmo que têm que ir mais longe", afirmou. Admitindo (antes do Executivo) a necessidade de confinar mais o país. Voltar a fechar as escolas? "Não posso nem devo dizer mais"

17 janeiro 2021 17:52

Marcelo Rebelo de Sousa antecipou-se este domingo ao Governo ao admitir que, se as pessoas não levarem mais a sério o confinamento para evitar a rutura do sistema de saúde, os políticos vão ter que confinar mais o país.

"Se for necessário ir mais longe, eu acho que se deve ir mais longe", afirmou Marcelo, no final de uma reunião de quase uma hora com a administração do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, de onde saíu a mostrar gráficos e números com um retrato da situação atual, que classificou de "muito crítica".

Marcelo chegou ao Santa Maria como candidato e explicou aos jornalistas que a ministra da Saúde se tinha disponibilizado para o acompanhar mas ele escolheu ir como candidato presidencial. Só que, perante a situação de catástrofe que já se vive em vários hospitais, escolheu falar no fim como Presidente da República, para admitir que venha a ser necessário “reponderar as medidas”, no sentido de “restringir mais” a liberdade de circulação das pessoas.

“A situação é muito crítica para os políticos e para os portugueses em geral e os políticos têm que analisar as medidas dia a dia, para ver se é preciso restringir mais”, afirmou o Presidente/recandidato, que acautelou estar coordenado “com a senhora ministra da saúde e o senhor primeiro-ministro” na monitorização da situação. Embora tenha chamado a si o anúncio desta possibilidade de um eventual agravamento de medidas.

Também neste domingo, a ministra da Saúde, Marta Temido, visitou o Hospital Garcia de Horta e fez os mesmos apelos aos portugueses para que não pisem o risco das exceções abertas por este confinamento, classificando a situação do SNS como "à beira do limite", mas nunca admitiu subir o nível de confinamento geral no país.

“Na próxima renovação do estado de emergência, no dia 29 deste mês, se for necessário reponderar medidas, o Governo terá o apoio do PR”, garantiu, pelo seu lado, o Presidente da República.

Confrontado com a eventual necessidade de ter mesmo que se voltar a fechar as escolas, Marcelo não afastou essa hipótese, limitando-se a dizer: “Não posso nem devo dizer mais”.

Os gráficos que mostrou aos jornalistas confirmam o estado da pandemia. Estavam em março passado em cuidados intensivos 20 pessoas e agora estão 647. O número de internados passou de 89 para os 4800.

Com o nível de 10 mil infectados por dia, “não há ampliação de camas que cheguem”, sublinhou o Presidente, que elencou os esforços feitos, na ampliação de instalações hospitalares e no "recurso a outros setores". Sem nunca responder às perguntas sobre se se facilitou no Natal, se faltou articulação atempada entre público e privados, ou se o poder político facilitou, Marcelo focou-se em assumir o protagonismo e as responsabilidade política neste momento crítico.

Marcelo Rebelo de Sousa também 'puxou as orelhas' aos portugueses que "em vez de fazerem compras em pacote vão todos os dias ao supermercado, que passeiam o cão três vezes ao dia ou que fazem vários passeios higiénicos e sem máscara". Mas foi claro a tirar a conclusão: "Ou a sociedade percebe ou os políticos percebem mesmo que têm que ir mais longe".