Governo

Costa tenta dar a volta: muda discurso, abre diálogo na saúde e na educação e vai fazer conselhos de ministros pelo país

13 janeiro 2023 16:00

Rita Dinis

Rita Dinis

Jornalista

António Costa com os seus adjuntos no debate de quarta--feira: António Mendonça Mendes e Ana Catarina Mendes

miguel a. lopes/lusa

Costa aposta nas mudanças na Saúde e na Educação e continua a confiar no efeito-PRR para virar a página da crise. Conselho de Ministros vai sair de Lisboa com regularidade

13 janeiro 2023 16:00

Rita Dinis

Rita Dinis

Jornalista

Um António Costa antes do Natal e um António Costa depois do Natal. O primeiro-ministro que, em meados de dezembro, aparecia em pose absolutista numa entrevista à revista “Visão”, a pedir aos opositores que se “habituassem” à maioria absoluta e a dizer que não perdia “um minuto” a olhar para os casos e casinhos do Governo, é o mesmo primeiro-ministro que esta quarta-feira foi ao Parlamento “lamentar profundamente” os “problemas da vida interna do Governo” que precipitaram a queda de três governantes nas últimas três semanas. Pior do que estava não pode ficar, por isso agora a estratégia é outra: assumir erros, acalmar ânimos, manter o foco nos resultados económicos, no show dos milhões do PRR, no diálogo com professores (que são um foco de tensão e um eleitorado importante, ver pág. 16), nas mudanças no Serviço Nacional de Saúde (ver pág. 4) e contando que as pessoas comecem já em janeiro a dar conta dos aumentos salariais e das mudanças nas tabelas de IRS.

A resposta que António Costa deu a Carlos Guimarães Pinto (IL) já o debate parlamentar ia longo era tudo o que os socialistas queriam ouvir e foi considerada “fundamental para acalmar os ânimos”, na medida em que revelou “a profunda lucidez” do primeiro-ministro. Foi nesse momento que Costa deixou escapar o mea culpa possível, num tom que não lhe é habitual: “Ninguém gosta de problemas na vida interna de um Governo, e eu lamento profundamente e lamento perante os portugueses, que não gostam e censuram o Governo por isso”, disse António Costa, prometendo “tomar lições” do que aconteceu nas últimas semanas. E o que aconteceu foi, além da embrulhada da indemnização milionária da ex-administradora da TAP que levou à queda de Pedro Nuno Santos, uma secretária de Estado nomeada num dia e demitida no outro por Marcelo Rebelo de Sousa, que a arrasou minutos depois de Costa a ter segurado. “As semanas depois do Natal não foram o momento mais feliz deste Governo”, diz um alto dirigente socialista, para dizer o mínimo.