Política

PSD considera que Costa confirma que "interferiu junto do Banco de Portugal", mas vai dar-lhe segunda oportunidade

25 janeiro 2023 17:03

tiago petinga

Miranda Sarmento esperava que o primeiro-ministro respondesse diretamente a cada pergunta e anuncia que partido vai analisar as respostas de forma “serena e ponderada” antes de decidir sobre comissão de inquérito

25 janeiro 2023 17:03

O líder parlamentar do PSD considera que o primeiro-ministro confirmou, nas respostas ao partido, que "interferiu junto do Banco de Portugal" quer no caso que envolve Isabel dos Santos quer no processo de resolução do Banif. Em declarações aos jornalistas, Joaquim Miranda Sarmento comentou as respostas de António Costa às perguntas que lhe foram colocadas pelo PSD em 23 de novembro passado, depois de o ex-governador do Banco de Portugal Carlos Costa o ter acusado de pressão e de "intromissões políticas" no processo de afastamento da empresária Isabel dos Santos do BIC, enviadas na terça-feira ao parlamento .

"O senhor primeiro-ministro confirma que, de facto, interferiu junto do Banco de Portugal, quer relativamente à engenheira Isabel dos Santos, quer no processo de resolução e venda do Banif", considerou o deputado do PSD.Por outro lado, o líder parlamentar social-democrata acusou o primeiro-ministro de, "como em muitas outras matérias", não responder às perguntas.

Miranda Sarmento, contudo, admitiu que o seu partido poderá dar “uma segunda oportunidade” e repetir questões ao primeiro-ministro ou colocar novas sobre uma eventual interferência no Banco de Portugal, antes de ponderar um inquérito parlamentar. “O primeiro-ministro demorou 60 dias a responder às perguntas do PSD, temos o direito de, de forma ponderada e serena, analisar o texto do primeiro-ministro e equacionar se não devemos repetir novamente algumas questões e eventualmente colocar novas”, afirmou Joaquim Miranda Sarmento, dizendo que o partido decidirá “nos próximos dias”.

Questionado se exclui, como admitiu no passado, avançar com uma comissão de inquérito parlamentar, o deputado considerou que “as comissões de inquérito nunca são ameaças”. “Não excluímos nenhum mecanismo parlamentar, não excluímos a comissão de inquérito. O mais provável, nesta fase, é que haja espaço para que o primeiro-ministro tenha uma segunda oportunidade para esclarecer os portugueses, dado que nesta primeira pouco ou nada esclareceu”, afirmou.

"O PSD fez 12 perguntas, esperava que primeiro-ministro respondesse pergunta a pergunta, até porque elas são individuais e alguma delas de resposta direta, e o primeiro-ministro apresentou uma composição com um conjunto de elementos que não são novos e não esclarecem o que o PSD perguntou", refere.

Miranda Sarmento acrescenta que até os documentos que António Costa enviou com o carimbo de confidencialidade já integravam o acervo de uma anterior comissão de inquérito e que foram então divulgados pela comunicação social.

Nas respostas enviadas ao Parlamento, o primeiro-ministro afirma que nunca fez junto do Banco de Portugal "ou de quem quer que seja" diligências em favor da idoneidade de Isabel dos Santos e apenas atuou para procurar resolver o bloqueio acionista no BPI.

Já às questões sobre o Banif, António Costa refere que o Banco de Portugal em dezembro de 2015, liderado por Carlos Costa, concluiu que a venda do Banif por resolução ao Santander era a única alternativa à liquidação, e conduziu o processo.