Política

Exército nega que obras no Hospital de Belém fossem “suplementares”. Eram “essenciais” para "funcionar"

20 janeiro 2023 22:21

Vítor Matos

Vítor Matos

Jornalista

O general Nunes da Fonseca é o chefe do Estado-Maior do Exército

nuno veiga

DGRDN responsabiliza o Exército pela derrapagem. Ramo diz que, sem as obras adicionais no antigo Hospital Militar de Belém, o Centro de Apoio Militar aos doentes com Covid-19 “não teria condições para funcionar”

20 janeiro 2023 22:21

Vítor Matos

Vítor Matos

Jornalista

O papel do Exército na derrapagem de €2,6 milhões nas obras no antigo Hospital Militar de Belém (HMB), que deram origem à operação judicial Tempestade Perfeita, tem estado à margem da discussão. Os responsáveis do ramo não foram ouvidos na auditoria da Inspeção-Geral da Defesa Nacio­nal, em que o antigo diretor-geral de Recursos de Defesa Nacional (DGRDN), Alberto Coelho, apontou aos militares a responsabilidade no sobrecusto das obras, que começaram com um orçamento de €750 mil e acabaram com uma despesa de €3,2 milhões. Confrontado pelo Expresso com o conteúdo da auditoria, onde são descritas ao detalhe as “obras suplementares” a pedido do Exército, contabilizadas em €2,6 milhões, o gabinete do general Nunes da Fonseca, chefe do Estado-Maior do Exército (CEME), responde: “O Exército não propôs qualquer obra suplementar no ex-HMB.”

O gabinete do CEME, no entanto, reconhece que sem essas obras o Centro de Apoio Militar (CAM) aos doentes com covid-19 “não teria condições para funcionar, uma vez que alguns desses trabalhos eram essenciais, de acordo com a legislação aplicável a este tipo de instalações, como é o caso do Sistema Automático de Deteção de Incên­dios (SADI)”. Parece contraditório. O Expresso voltou a pedir ao Exército para esclarecer a diferença entre obras “suplementares” ou “essenciais” e o gabinete do CEME reconheceu que, “no âmbito do acompanhamento técnico prestado pela Direção de Infraestruturas do Exército (DIE) à execução das obras”, o ramo “recomendou alguns trabalhos essenciais para colocar o CAM em funcionamento”, sem os quais “não teria condições para funcionar” (ver descrição desses trabalhos no texto em cima).