Política

Portugal sem capacidade para responder à NATO: mobilização de todos os meios custaria €780 milhões

13 janeiro 2023 18:27

Vítor Matos

Vítor Matos

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Jornalista

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Emprego total de tropas custaria um terço do orçamento da Defesa. A Força Aérea avisou que precisava de 2600 efetivos em documento confidencial, uma semana depois de a Rússia invadir a Ucrânia.

13 janeiro 2023 18:27

Vítor Matos

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Jornalista

Apenas seis dias depois de a Rússia ter invadido a Ucrânia, os três ramos das Forças Armadas e o Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA) fizeram as contas ao que custaria cumprir os compromissos de Portugal com a NATO em 2022 caso as forças portuguesas atribuídas à Aliança Atlântica fossem mobilizadas pelo quartel-general aliado. Num documento classificado como “confidencial”, com data de 2 de março de 2022, a que o Expresso teve acesso, o emprego da totalidade dos meios custaria €780 milhões, com despesas em armamento, projeção e sustentação das forças. Ou seja, um valor que representa mais de um terço do orçamento global da Defesa (que foi de €2,3 mil milhões em 2022) e 10 vezes mais do que o montante previsto para as Forças Nacionais Destacadas (que era de €73 milhões).

Uma nota da Força Aérea, no mesmo documento, fazia um alerta para as “necessidades de pessoal para empenhamento prolongado”, o que inviabilizava a possibilidade de empenho total dos meios: este ramo precisava de um “reforço estimado em 2600 militares” para garantir um “emprego sustentado” dos caças F16, dos aviões de vigilância P3C Orion, dos Hércules C130 de transporte e dos helicópteros EH101.