Política

Marcelo dá um ano a Costa para segurar a legislatura

5 janeiro 2023 23:00

Presidente e primeiro-ministro na quarta-feira quando tomaram posse os novos membros do Governo

tiago miranda

PR acelera ciclo político e não exclui eleições antecipadas. Vai depender da maioria. E de haver uma “alternativa forte e evidente”, que Marcelo ainda não vê

5 janeiro 2023 23:00

A imagem de António Costa com um capacete de obras na cabeça a visitar, esta quarta-feira, investimentos financiados pelo PRR numa unidade de Saúde da freguesia de Amor, algures em Leiria, parecia resposta ao ultimato que Marcelo Rebelo de Sousa lhe dirigiu no Ano Novo. Acerte e acelere o passo, nada de falhas “imperdoáveis” nos fundos europeus e não desperdice 2023 que é o ano “decisivo”, avisou o Presidente. E quando a primeira figura do Estado diz no arranque de uma legislatura que há um ano decisivo é porque a vida da terceira figura está sob pressão máxima e não é líquido que o seu ciclo chegue ao fim.

“O Governo entrou em queda de tal forma acelerada que se a oposição não se despachar podemos ter um impasse grande”, antecipam na Presidência, enquanto Marcelo se prepara para voltar à rua disposto a mostrar o bom e o mau e, sobretudo, a ouvir as pessoas. Acusado durante anos de andar com o Governo ao colo, o Presidente entra no “ano decisivo” num novo registo, feroz com as falhas da maioria absoluta, assumidamente frustrado por Costa não arejar estruturalmente o Executivo e a pressionar, como nunca antes o fez, um primeiro-ministro que se sente desgastado. Sem garantias da oposição, a quem começou por aconselhar calma mas que agora espera mais ágil, Marcelo evitará, no entanto, dar ele próprio corda excessiva ao relógio, consciente de que vai ter de manobrar entre o acelerador e o travão. Certo é que, para já, conseguiu recuperar o volante.