Política

Pedro Nuno sai da direção do PS e só vai para o Parlamento daqui a um mês

4 janeiro 2023 11:09

Rita Dinis

Rita Dinis

Jornalista

Ex-ministro das Infraestruturas pediu ao secretário-geral do PS para abandonar os órgãos de direção do partido e fica assim livre de responsabilidades na condução política do partido. Pedro Nuno Santos pediu ainda a suspensão do mandato de deputado por 30 dias, e só assume lugar no Parlamento daqui a um mês

4 janeiro 2023 11:09

Rita Dinis

Rita Dinis

Jornalista

Depois de sair do Governo de António Costa, Pedro Nuno Santos sai também da direção do Partido Socialista de António Costa. Segundo avançou a SIC e confirmou o Expresso, o ex-ministro das Infraestruturas pediu ao secretário-geral e primeiro-ministro para sair do secretariado nacional do partido, órgão executivo da direção mais restrita do partido.

Desta forma, Pedro Nuno Santos, que também tinha assento no núcleo duro de coordenação do Governo, fica liberto de responsabilidade em relação à escolha da política conduzida por António Costa, quer no partido quer no país, ficando apenas como deputado do grupo parlamentar socialista.

Mas mesmo isso não é para já. Ao que o Expresso apurou, Pedro Nuno Santos vai fazer uma pausa tendo pedido a suspensão do mandato de deputado por 30 dias.

A ideia é que a saída do Governo e da direção do partido seja mesmo assimilada como um momento de viragem e de final de ciclo, cortando de vez com António Costa - cuja relação estava cada vez mais tensa e deteriorada, tendo atingido o seu pico no polémico episódio do despacho revogado sobre a nova localização do aeroporto. Nessa altura, Costa não demitiu Pedro Nuno, nem Pedro Nuno apresentou a demissão, mas ficou numa situação frágil da qual nunca recuperou - nem Costa quis que recuperasse.

Aos mais próximos, há vários meses que o então ministro das Infraestruturas confidenciava que era um “corpo estranho” dentro do inner circle do Governo. Agora, além de Duarte Cordeiro, sentam-se à mesa do Conselho de Ministros mais dois representantes da ala ‘pedronunista’: João Galamba e Marina Gonçalves, sua delfim, que sobe agora a ministra da Habitação.

Mesmo no partido, há muito que Pedro Nuno Santos era criticado internamente por raramente marcar presença nas reuniões do secretariado. Em novembro de 2020, por exemplo, numa importante reunião da direção do partido para decidir o apoio a dar (ou não) aos candidatos presidenciais que iam concorrer às eleições de janeiro, Porfírio Silva e Pedro Nuno Santos protagonizaram um momento de grande tensão quando o primeiro acusou o então ministro de “não aparecer” nas reuniões da direção restrita do partido (o secretariado) e aparecer apenas na reunião mais alargada (a Comissão Nacional), onde estão mais militantes e onde a sua voz crítica é mais ouvida e faz mais mossa.

Na altura, estava em causa a decisão de não apoiar nenhum candidato presidencial - deixando dessa forma o apoio implícito a Marcelo Rebelo de Sousa. Pedro Nuno Santos, como representante máximo da ala esquerda do partido, liderava outra frente: a dos que defendiam o apoio à candidata Ana Gomes. Foi esse o motivo da discussão, mas as críticas maiores, na altura, foram para o timing e a forma como Pedro Nuno Santos o fizera - fora da cúpula do partido, onde as decisões são tomadas.