Política

Caminho de Pedro Nuno Santos fica mais difícil

30 dezembro 2022 22:41

Rita Dinis

Rita Dinis

Jornalista

Vítor Matos

Vítor Matos

Jornalista

Pedro Nuno Santos vai assumir o lugar de deputado

tiago miranda

Primeiro-ministro não o forçou a demitir-se e Pedro Nuno hesitou até à última. Sair era a sua única hipótese de reabilitação, mas caminho para suceder a Costa pode ficar mais estreito

30 dezembro 2022 22:41

Rita Dinis

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Jornalista

Vítor Matos

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A ponderação foi feita até ao último minuto desta quarta-feira e apanhou ministros e socialistas de surpresa. No núcleo duro do Governo havia, desde terça-feira, a certeza de que, além de Alexandra Reis, também o secretário de Estado das Infraestruturas teria de sair: Hugo Mendes sabia — e havia um e-mail a prová-lo —, que o acordo de rescisão da TAP com a então administradora, que tinha sido ratificado pelo Ministério das Infraestruturas, envolvia uma indemnização de meio milhão de euros, que até podia ter sido o triplo. Com Pedro Nuno Santos a alegar que não sabia dos contornos da indemnização, no limite, podia nem ter saído do Governo. António Costa esperava, não o iria empurrar.

“Não tenho dúvidas de que para António Costa, enquanto primeiro-ministro e enquanto secretário-geral, como para o Governo, era muito mais confortável manter Pedro Nuno Santos no Governo na posição em que estava”, diz ao Expresso uma fonte socialista, referindo-se à situação de fragilidade e de ‘controlo infligido’ em que o enfant terrible do Partido Socialista estava desde que, no verão, foi desautorizado por António Costa no polémico despacho sobre a nova localização do aeroporto. Na altura, Pedro Nuno não se demitiu para não sair “pela porta pequena” empurrado pelo primeiro-ministro e apareceu de cabeça baixa a pedir desculpas pela precipitação. Agora também não queria sair. Ainda não era o momento. “Estava à espera de vender a TAP para sair depois, já era um dado adquirido para muitos que não ia ficar até ao fim”, diz outro socialista próximo do agora ex-ministro.