Política

PSD exige presença de Costa em debate de urgência no Parlamento para explicar “epidemia de crises políticas”

29 dezembro 2022 12:10

miguel a. lopes/ lusa

Após a demissão do ministro Pedro Nuno Santos, Paulo Rangel quer “explicação cabal” do primeiro-ministro, “em pessoa, já na próxima semana”. O vice-presidente social-democrata aponta “degradação política” com a sucessão já não de “casos”, mas de “vícios originais”

29 dezembro 2022 12:10

Paulo Rangel, o primeiro vice-presidente do PSD, disse que o seu partido “exige” ao primeiro-ministro “uma explicação cabal” na Assembleia da República sobre os acontecimentos que levaram à demissão do ministro Pedro Nuno Santos. Esses esclarecimentos devem ser feitos “já na próxima semana”, num “debate de urgência” que os sociais-democratas vão pedir, salientou esta quinta-feira em conferência de imprensa no Porto.

Mas António Costa deve fazê-lo “em pessoa”, sublinhou Rangel, uma vez que, justificou, “o tempo não é de se esconder, o tempo é de responder”. O dirigente do PSD respondeu ainda ao apelo que o chefe do Governo fez em entrevista recente à revista “Visão”: “Não, nunca nos habituaremos a esta partidarização do Governo e da Administração Pública”, “a esta navegação à vista sem rumo”, “a esta política de empobrecimento” ou “a esta apagada e vil desistência do país”, assegurou.

No que descreveu como uma “verdadeira epidemia de crises políticas”, “com 11 demissões em sete, oito, nove meses” – um “recorde lamentável”, frisou – Rangel falou também em “gritante falta de rumo e de coordenação”, em “errância de decisões e nomeações” e num “sinal da degradação política a que o Governo chegou”. “A autoridade e a credibilidade do primeiro-ministro saem fortemente abaladas”, avaliou, acrescentando que tanto o Governo como Costa “perdem autoridade moral”, além da política.

Para Rangel, há um “padrão de instabilidade” e “definhamento do Governo”, não se tratando já de “casos”, antes de “vícios originais”, que mostram a “evidente incapacidade do primeiro-ministro para liderar o seu terceiro Governo”. Um Governo que se encontra “paralisado”, que “consome todas as suas energias” em polémicas e que está “centrado no umbigo das suas lutas internas” pela sucessão do líder do partido.

O Governo “deixou de governar”, sendo a mais recente “uma crise grave, muito grave”. “António Costa e o PS obtiveram maioria absoluta para criar um governo estável. Mas, neste momento, a maioria absoluta é um fator de instabilidade”, criticou ainda. “Voltou, com ganância e força, o PS dos ‘jobs for the boys’ e dos ‘jobs for the girls’”, proclamou, referindo-se ao Governo como uma “máquina de equilíbrios”, de “truques, habilidades e trapalhadas” e de “obstrução sistemática” à presença de governantes no Parlamento. Um Executivo que se habitou a “anunciar as demissões depois da meia-noite”, anotou igualmente, apelando ao primeiro-ministro que se deixe de “distrações europeias”.

Segundo Rangel, a demissão de Pedro Nuno Santos “não encerra o assunto e deixa muitos pontos em aberto”, tendo o ministro das Finanças “muito que explicar”. Isto porque “Fernando Medina fez uma escolha pessoal”: Alexandra Reis – primeiro para a presidência da NAV, depois como sua secretária de Estado do Tesouro. “O Ministério das Finanças tem respostas por dar e tem respostas a dar”, insistiu. E acrescentou: “Não esquecemos como [Medina] olhou para o caso Sérgio Figueiredo.”

A demissão de Pedro Nuno Santos foi conhecida na última noite na sequência do caso da indemnização recebida pela agora ex-secretária de Estado do Tesouro quando Alexandra Reis saiu da TAP. A saída do ministro das Infraestruturas do Governo aconteceu 24 horas depois de o ministro das Finanças ter demitido a secretária de Estado, menos de um mês depois de Alexandra Reis ter tomado posse e após quatro dias de polémica com a indemnização de 500 mil euros paga pela TAP, tutelada por Pedro Nuno Santos.