Política

IL avança com moção de censura ao Governo: “O país não aguenta mais”

29 dezembro 2022 12:16

nuno fox

Cotrim de Figueiredo rejeita manobra política e diz que moção de censura é o instrumento “mais forte” para mostrar a “insatisfação” face ao Governo e indicar aos portugueses que há “alternativa”

29 dezembro 2022 12:16

A Iniciativa Liberal (IL) vai apresentar uma moção de censura ao Governo, na sequência da demissão do ministro das Infraestruturas e da Habitação e da secretária de Estado do Tesouro. O anúncio foi feito esta quinta-feira pelo ainda líder, João Cotrim de Figueiredo, que admitiu estar a guardar este “cartucho” para um momento decisivo com este.

O país não aguenta mais esta trajetória. Este estado de coisas não pode continuar, este Governo não pode continuar, declarou Cotrim de Figueiredo, em conferência de imprensa, nos Passos Perdidos, no Parlamento.

Falando num Executivo que durante nove meses mostrou “arrogância crescente” e ser “dona do poder absoluto”, o líder liberal acusou o Governo socialista de “incompetência” e “irresponsabilidade”, após sucessivos casos e saídas de membros. “Tudo isto porque o Governo foi constituído desde o início não tanto para tratar dos problemas dos portugueses e do interesse público, mas sobretudo para aplacar lutas internas do PS”, atirou.

Para Cotrim, o primeiro-ministro acabou por “desperdiçar o capital político” da maioria absoluta e tem-se revelado incapaz de controlar politicamente o seu Governo, quando estava preocupado com a sua sucessão no PS.

Ao contrário do Chega, a IL não quis apresentar antes uma moção de censura ao Executivo, preferindo guardar este “cartucho” para uma ocasião como esta, ao invés de banalizar esse instrumento de fiscalização. “O assunto é suficientemente grave, nove meses é tempo suficiente para ver que o Governo não tem visão para o país, nem vontade de fazer reformas. A moção de censura é o instrumento mais forte para mostrar a nossa insatisfação e mostrar aos portugueses que há alternativa ”, justificou.

Portugal é um país com “emigração de jovens em massa” e a não crescer o que podia". "Mesmo o brilharete orçamental que o PM se preparava para fazer no final deste ano, se for conseguido, é a custa de impostos absolutamente extraordinários”, criticou ainda.

Em jeito de apelo, o líder da IL defendeu que quem não votar a favor da moção de censura ao Governo estará a ser “conivente” e “cúmplice” com o estado do país, que está a ser conduzido por uma maioria “em desagregação”. “Sabemos que o PS tem maioria absoluta e, à partida, a moção de censura tem mais hipóteses de não passar, mas acreditamos que há suficiente sentido de responsabilidade e sentido crítico, mesmo dentro do PS para que possa nesta altura ser aprovada”, acrescentou, apontando para os críticos internos.

Foi na quarta-feira à noite que o primeiro-ministro aceitou o pedido de demissão de Pedro Nuno Santos. O ministro das Infraestruturas considerou não reunir as condições políticas para se manter no cargo, após a polémica indemnização da TAP a Alexandra Reis. “No seguimento das explicações dadas pela TAP, que levaram o Ministro das Infraestruturas e da Habitação e o Ministro das Finanças a enviar o processo à consideração da CMVM e da IGF, o Secretário de Estado das Infraestruturas entendeu, face às circunstâncias, apresentar a sua demissão”, podia ler-se num comunicado. O ministro entendeu que depois deste caso era a própria “afirmação política” do Governo que estava em causa.