Política

Erros e casos. Governo ainda à procura de coordenação

6 novembro 2022 8:26

Rita Dinis

Rita Dinis

Jornalista

Secretário de Estado Adjunto e gabinete de comunicação funcionam junto de Costa em São Bento

josé sena goulão/lusa

Gabinete de Cepeda tem já cinco membros para “profissionalizar” comunicação. Silêncio de secretário de Estado-Adjunto faz mossa e ninguém se entende: quem manda no quê?

6 novembro 2022 8:26

Rita Dinis

Rita Dinis

Jornalista

No dia em que o Governo se preparava para entrar no Parlamento para discutir o Orçamento do Estado, naquilo que seria o pináculo da tripla “operação de sucesso” Orçamento/Acordo de Rendimentos/Acordo na Função Pública, o pior acontecia: a manchete do jornal “Público” dessa manhã punha em xeque o recém-nomeado secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro, levantando suspeitas sobre um negócio que fizera dois anos antes enquanto presidente da Câmara de Caminha. Os tiros de que o Governo andava a tentar escapar-se nos últimos seis meses, com os sucessivos casos de alegadas incompatibilidades, problemas no SNS, dúvidas sobre ‘cortes’ na atualização das pensões, descoordenação ou dessintonia interna, atingiam em cheio o coração do Governo — e logo a pessoa que tinha sido chamada por Costa para acautelar esses mesmos problemas.

A ordem foi de silêncio: se se tratava de um negócio feito pela Câmara de Caminha dois anos antes, devia ser o atual presidente da câmara a dar explicações, e Miguel Alves só falaria a seguir. Caso contrário, seria fazer do membro do Governo “o dono” do caso, e isso era tudo o que o Executivo queria evitar. A estratégia de comunicação desenhou-se em São Bento, até porque os três gabinetes envolvidos funcionam no mesmo edifício, a um piso de distância: tanto o gabinete do primeiro-ministro, como o do secretário de Estado Adjunto, como o gabinete de comunicação de João Cepeda.