Política

PS chumba audição de Pizarro. Já são oito os ministros impedidos de ir ao Parlamento

28 setembro 2022 12:40

Eunice Lourenço

Eunice Lourenço

Editora de Política

As audições a Temido foram chumbadas porque estava de saída, agora Pizarro não vai ao Parlamento porque chegou há pouco tempo

Bloco queria ouvir o novo ministro da Saúde sobre o encerramento de maternidades, mas na comissão o PS alega que Pizarro ainda não teve tempo para se inteirar do assunto

28 setembro 2022 12:40

Eunice Lourenço

Eunice Lourenço

Editora de Política

Os últimos pedidos de audição a Marta Temido foram chumbados pelo PS porque a ministra estava de saída. Esta quarta-feira, o pedido do Bloco de Esquerda para ouvir Manuel Pizarro, o novo ministro, na comissão parlamentar de Saúde, foi igualmente rejeitado pelo PS porque o novo titular ainda não terá tido tempo para se inteirar do assunto.

Em causa para o pedido de audição estava o eventual encerramento de maternidades, motivo que já tinha levado a pedidos de audição de Marta Temido. O último pedido tinha sido feito pela Iniciativa Liberal e rejeitado pelo PS com o argumento de que a ministra já tinha pedido a demissão. Na altura, os socialistas diziam que quando houvesse novo ministro haveria ocasião para audições.

Contudo, agora acham que ainda será cedo para o novo ministro e esta quarta-feira inviabilizaram o pedido do Bloco, o que há levou a líder bloquista, Catarina Martins, a reagir, acusando o PS de estar a impor o poder da maioria absoluta. A prática era viabilizar a audição de ministros, mas mudou. O PS aceitou o pedido de António Costa e deixou de ter vergonha de ser maioria absoluta. Hoje foi na Saúde”, escreveu Catarina Martins na rede social Twitter.

No requerimento apresentado há uma semana pelo BE, o partido defendia que era urgente” que o Parlamento ouvisse o ministro da Saúde para perceber se o Governo “concorda com as propostas de concentração e encerramento de serviços” de obstetrícia e ginecologia e explicar se vai avançar com estas medidas e quais os serviços e populações que serão afetados.

Sublinhando que a comissão de acompanhamento propôs “a concentração de respostas na área da obstetrícia e ginecologia, o que representará o encerramento de alguns serviços em vários hospitais do país”, o BE apontou para a falta de profissionais e de medidas para a captação e fixação de médicos especialistas.

“Foi num Governo do Partido Socialista, não há muitos anos, que se procedeu ao encerramento de várias maternidades e urgências, depois de também se ter encomendado um estudo a uma comissão técnica. É preocupante que a cada novo problema, a resposta dos Governos seja o encerramento de serviços e não o reforço do SNS, seja através do investimento em equipamentos, seja através da contratação e melhoria de condições de trabalho dos profissionais de saúde”, podia ainda ler-se no requerimento.

Pizarro torna-se, assim, o oitavo ministro a ver o PS impedir que seja confrontado pelos deputados. Como o Expresso aqui conta, tem sido uma prática recorrente, o que leva a oposição a acusar os socialistas de terem adotado uma atitude arrogante e de “ditadura absoluta” na condução dos trabalhos em comissão, onde o Parlamento deve acompanhar e fiscalizar a atuação do Governo.