Política

Manuel Pizarro tomou posse como novo ministro da Saúde. Temido sai "sem amargos de boca"

10 setembro 2022 18:37

José Fernandes

José Fernandes

Fotojornalista

josé fernandes

O Presidente da República deu posse ao novo ministro da Saúde, Manuel Pizarro, numa curta cerimónia no Palácio de Belém, que durou cerca de quatro minutos, este sábado. No final, o primeiro-ministro afirmou que estranho seria ter escolhido um "adversário do PS" para ministro. Marta Temido disse que vai assumir funções como deputada

10 setembro 2022 18:37

José Fernandes

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A curta cerimónia de tomada de posse do Novo Ministro da Saúde, teve início às 18h04, na Sala dos Embaixadores, no Palácio de Belém, em Lisboa, e contou com a presença do presidente da Assembleia da República, Augusto Santos Silva, do primeiro-ministro, António Costa, da ministra cessante, Marta Temido, e da diretora-geral da Saúde, Graça Freitas.

Na tradicional fase de cumprimentos, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, deu um abraço prolongado a Marta Temido, que deixa este sábado oficialmente o cargo, e que recebeu também um cumprimento de António Costa.

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Em resposta aos jornalistas, no fim da cerimónia, o primeiro-ministro, disse que “ficariam todos mais surpreendidos, e provavelmente aqueles que votaram no PS teriam boas razões para criticar, se em vez de ter nomeado alguém do PS tivesse nomeado um adversário do PS”. E acrescentou: “Isso é que me pareceria bastante estranho”.

Questionado sobre as críticas dirigidas por alguns partidos da oposição à escolha do novo ministro, António Costa respondeu que "as oposições têm sempre que encontrar alguma coisa para dizer e raras vezes são muito imaginativas".

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O primeiro-ministro deixou um agradecimento a Marta Temido, antecessora no cargo e que esteve presente na cerimónia, por "toda a dedicação e empenho e o serviço prestado ao país", principalmente na época de pandemia da covid-19.

Depois, agradeceu a Manuel Pizarro a sua disponibilidade para regressar a Portugal – visto que estava a exercer funções como eurodeputado – voltando a um ministério onde já exerceu funções como secretário de Estado nos governos liderados por José Sócrates.

"Encontra agora outra forma de servir a saúde dos portugueses para além da sua própria qualidade de médico", acrescentou.

Para o primeiro-ministro, Pizarro tem todas as condições para "prosseguir a execução do programa de Governo, dar continuidade às reformas em curso e prosseguir a estratégia de reforço do Serviço Nacional de Saúde".

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Marta Temido falou aos jornalistas no Palácio de Belém, à saída da cerimónia: "Não tenho amargos de boca, felizmente. Todos nós temos algumas marcas mais negras no coração mas não tenho amargos de boca", respondeu, depois de ter sido questionada sobre algumas das críticas que lhe foram dirigidas nos últimos meses em que ocupou o cargo.

Temido fez questão de deixar agradecimentos: "Deixar uma palavra de agradecimento aos portugueses, da parte de quem sempre senti um enorme carinho, à comunicação social que permitiu muitas vezes essa ligação, ao meu primeiro-ministro que sempre me apoiou, aos colegas de Governo, aos dirigentes dos serviços do Ministério da Saúde", enumerou.

Marta Temido, que nas eleições legislativas de janeiro foi cabeça-de-lista do PS pelo círculo de Coimbra, adiantou que vai assumir as suas funções como deputada na Assembleia da República.

"Vou assumir as minhas responsabilidades como deputada pelo meu distrito com muito orgulho e muita honra e, portanto, vou continuar a trabalhar. A política não é necessariamente um exercício que só que se faça no palco ou na exposição, é um exercício de cidadania e eu não acredito em quem diz que não é político. E eu tenho a política dentro de mim, porque isso significa escolhas públicas", rematou.

Referindo-se ao caso da grávida que faleceu após ser transferida de hospital, Temido disse que “o caso foi de uma gravidade tal que era necessário que houvesse uma responsabilização". A ministra entendeu “que estava criado um ambiente que exigia que houvesse uma responsabilidade pessoal e que essa responsabilidade devia ser minha. Considerei ainda que a forma como o sector perspetivava a ministra era como fazendo parte mais do problema do que da solução”.