Política

Relações Brasil-Portugal resistem a Bolsonaro: "São excecionais", garante Marcelo

7 setembro 2022 0:35

manuel de almeida

Marcelo chegou à hora a que devia estar a sair. Uma hora de atraso do Presidente brasileiro atrasou a agenda do chefe de Estado português que está no Brasil para celebrar o bicentenário da independência. E logo nas primeiras horas mostrou que fará tudo para garantir as relações “excecionais” entre os dois países

7 setembro 2022 0:35

Uma hora depois do previsto, devido ao atraso do anfitrião, Marcelo de Sousa entrou no Palácio do Itamaraty. Bem disposto, o Presidente português fez questão de sublinhar a proximidade entre os dois países.

Marcelo Rebelo de Sousa chegou quando deveria estar a sair do encontro bilateral com Jair Bolsonaro. Dando sinais de que vai resistir a todas as atitudes do Presidente brasileiro, o chefe de Estado português reafirmou as excelentes relações entre os dois países. "São excecionais", disse apenas.

No meio da confusão de perguntas da comunicação social, ficou uma questão gritada por um jornalista brasileiro: "O que a democracia portuguesa tem a ensinar ao Brasil?" Mas a esta incógnita, Marcelo não respondeu.

Cerca de uma hora depois de ter chegado, Jair Bolsonaro partia. E, à saída, Marcelo Rebelo de Sousa declarou aos jornalistas portugueses e brasileiros que o encontro tinha corrido bem. Os dois chefes de Estado apertaram as mãos e o Presidente português deu uma aula de história a Jair Bolsonaro, contando a história de D. Pedro I, o monarca que tem os ossos no Brasil e o coração em Portugal.

O encontro entre os dois Presidente teve a presença da comitiva oficial que acompanha Marcelo: pelo secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, Francisco André, e pelo embaixador de Portugal no Brasil, Luís Faro Ramos, o chefe da Casa Militar do Presidente da República, Vice-Almirante Luís Sousa Pereira e a secretária do Conselho do Estado da Presidência da República, Rita Magalhães Collaço.

Questionado sobre se a sua presença não poderia ser interpretada como uma interferência nas eleições presidenciais brasileiras, Marcelo faz questão de distinguir o que disse serem questões internas do que acredita ser o relacionamento entre os dois países.

manuel de almeida/lusa

Era incompreensivel que Portugal não estivesse representado ao mais alto nível num momento histórico único na vida do Brasil e de Portugal. Não tem nada a ver com o que se passa com a vida interna dos países, como já não teve quando, há 100 anos, o Presidente António José de Almeida aqui veio, num momento dificil da vida política portuguesa e da vida brasileira. É isso é que separa ver as questões no plano do Estado ou ver naquilo que é a vivência própria dos regimes”, afirmou o Presidente português, que também fez questão de assinalar o “gesto simbólico único” que é a presença do coração de D. Pedro em Brasília.

“Não vou falar das questões internas do Brasil”, reafirmou ainda Marcelo, depois da insistência de uma jornalista brasileira. E partiu para a visita ao coração do rei de Portugal que primeiro foi Imperador do Brasil, no âmbito da exposição “Coração Ardoroso: Vida e Legado de D. Pedro I.”

Desfile da Independência, seguido de refeições oficiais

As celebrações do bicentenário da independência do Brasil têm esta quarta-feira o seu ponto alto com o Desfile Cívico-Militar do Sete de Setembro, na Esplanada dos Ministérios, no centro de Brasília. A Esplanada dos Ministérios está fechada desde segunda-feira por razões de segurança.

Depois do desfile, que tem início marcado para as 9h (13h de Portugal continental) o Presidente português oferece um amoço aos chefes de Estado e de Governo de países da Comunidade de Países de Lingua Portuguesa, na residência oficial do embaixador de Portugal em Brasília.

Pelas 17h locais, Marcelo tem um encontro com a comunidade portuguesa e termina o dia com um jantar oferecido pelo presidente do Senado do Brasil, Rodrigo Pacheco.