Política

Espanhóis acusados de conluio no Cartel do Fogo partilham negócio de combate a fogos em Portugal

14 julho 2022 23:23

Vítor Matos

Vítor Matos

Jornalista

Empresa que ganhou contrato para quatro aviões de ataque a fogos foi alugar dois aos donos da que ficou em segundo lugar. Em Espanha vão ser julgados por manipulação do mercado

14 julho 2022 23:23

Vítor Matos

Vítor Matos

Jornalista

Os implicados no Cartel del Fuego espanhol — que conheceu a acusação do Tribunal da Audiencia Nacional de Madrid há um mês, com 32 suspeitos levados a julgamento — mantiveram o mesmo tipo de relações em Portugal. Duas empresas portuguesas detidas por espanhóis (a Agro-Montiar e a CCB Serviços Aéreo), envolvidos na alegada rede espanhola, participaram, em 2020, num concurso lançado pela Força Aérea Portuguesa no valor de €43,4 milhões para o aluguer de quatro aviões anfíbios de combate aos fogos. No entanto, a empresa vencedora, a Agro-Montiar, foi alugar aeronaves aos donos de uma concorrente: dois dos aviões com que presta o serviço são alugados à Martínez Ridao, uma companhia de aviação espanhola, dona da empresa que ficou em segundo lugar — a CCB Serviços Aéreos.

Em Espanha, as empresas de combate aéreo a incêndios que começaram por ser apelidadas como o Grupo dos 6, são acusadas de manipularem mercado e preços, e de corromperem políticos com ofertas de carros, estadas em hotéis, relógios, joias ou armas. O comunicado oficial da Audiencia Nacional (que corresponde ao Tribunal de Instrução Criminal português), dizia, a 16 de junho, que “os arranjos não só se desenvolveram em Espanha, mas também noutros países”, como Itália e Portugal. O juiz de instrução espanhol alega nos autos que o Cartel del Fuego muitas vezes utilizava uma frota de aeronaves parcialmente comum.