Política

Portugal disponível para treinar militares ucranianos

15 junho 2022 22:38

“Neste momento, não está em cima da mesa” o envio de mais material militar para a Ucrânia, afirmou a ministra da Defesa, mas está a ser ponderada “a possibilidade de dar treino aos soldados e às forças armadas ucranianas, a vários níveis”

15 junho 2022 22:38

Portugal está disponível a dar treino a militares ucranianos, tendo já uma avaliação feita do tipo de formação que pode oferecer, disse esta quarta-feira a ministra da Defesa, Helena Carreiras, em Bruxelas, à margem de uma reunião da NATO.

Em declarações à imprensa no final da primeira sessão de trabalhos da reunião de ministros da Defesa da NATO que decorre entre hoje e quinta-feira no quartel-general da Aliança, na capital belga, a ministra disse que, “neste momento, não está em cima da mesa” o envio de mais material militar, designadamente material pesado, mas recordou o “conjunto de ajudas” que Portugal tem prestado e admitiu então a possibilidade de ser dada formação às Forças Armadas ucranianas, em Portugal.

Lembrando que Portugal já forneceu “material militar, letal e não letal, equipamentos, munições, armamento, mas também material de comunicações e material sanitário”, e respondido a solicitações que têm chegado, como por exemplo kits de primeiros socorros, além da disponibilidade para “receber feridos ucranianos”, Helena Carreiras disse então que está a ser ponderada “a possibilidade de dar treino aos soldados e às forças armadas ucranianas, a vários níveis”.

A ministra especificou que se trata de “oferecer treino aos soldados e forças armadas ucranianas em Portugal”, para, por exemplo, manobrarem carros de combate Leopard, “que é um equipamento que têm e para o qual precisam de treinar os seus soldados, e porventura também treino na área da desminagem e inativação de engenhos explosivos”.

“Temos já uma avaliação feita do tipo de formação que podemos oferecer”, disse.

Treino poderá ser providenciado desde já

Admitindo que ainda não há “nenhum pedido concreto” por parte das autoridades ucranianas, a ministra disse que existe a noção de que “é uma necessidade que vai colocar-se às Forças Armadas ucranianas.

“Caso seja essa a decisão da Ucrânia - e funcionamos sempre nesse sentido, ou seja, é em função das necessidades da Ucrânia que respondemos -, esse treino poderá ser providenciado desde já, não é de facto uma situação apenas para o pós-guerra”, explicou.

Horas antes, numa conferência de imprensa a anteceder a reunião, o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, advertiu que os membros da Aliança vão fornecer armas pesadas modernas à Ucrânia, como solicitado por Kiev, mas tal “exige tempo”, pois será necessário formar os militares ucranianos para as utilizarem.

“Tomámos a medida de urgência, mas estes esforços exigem tempo. A transição dos equipamentos da era soviética para os equipamentos modernos da NATO significa que os ucranianos devem estar preparados a utilizá-los. É uma transição difícil e exigente”, apontou, precisando que se trata de “artilharia, sistemas de longo alcance e sistemas antiaéreos” modernos, que requerem formação e manutenção.

A Rússia lançou na madrugada de 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que matou já pelo menos 4.432 civis e levou mais de 7,5 milhões de pessoas a fugirem para os países vizinhos, segundo a ONU, que sublinha que os números reais poderão ser muito superiores.