Política

Costa sobre reuniões com PCP e BE: “Temos de ter a humildade de admitir que é sempre possível melhorar o OE”

Costa sobre reuniões com PCP e BE: “Temos de ter a humildade de admitir que é sempre possível melhorar o OE”
ANTÓNIO COTRIM

Primeiro-ministro vai participar esta terça-feira nas rondas negociais com o Bloco e o PCP, no âmbito do Orçamento do Estado para 2022. Insiste que a proposta apresentada corresponde a um "bom Orçamento", mas garante "abertura" do Governo para discutir medidas com a esquerda, confiante na "racionalidade" dos parceiros

O primeiro-ministro afirmou que a proposta do Orçamento do Estado para 2022 responde às necessidades do país no pós-pandemia e insistiu que o Governo está disponível para acolher propostas da esquerda. Mas deixou um aviso: sem "contas certas" não há futuro.

"Acho que é fundamental para o país termos um bom Orçamento do Estado. Estamos de consciência tranquila porque a base de trabalho que temos, a proposta de lei que Governo apresentou, responde às prioridades do país neste momento", disse António Costa à margem da cerimónia de concessão de Honras de Panteão Nacional a Aristides de Sousa Mendes.

Segundo o chefe do Governo, o documento prevê o apoio à recuperação económica, através do reforço do investimento e do rendimento das famílias, o reforço dos serviços públicos, nomeadamente do SNS, e a execução do plano de recuperação de aprendizagens nas escolas, sem desvalorizar as "contas certas". Admitiu, contudo, que o debate orçamental pode permitir melhorar o documento.

"Temos de ter a humildade de admitir, que para além daquilo que fizemos, é sempre possível fazer melhor, e contamos com todos para que assim seja. Também estamos disponíveis para discutir outros temas extra orçamentais que têm sido colocados por outros partidos", acrescentou. A esse respeito, apontou para o facto de o Estatuto do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e a agenda de trabalho digno, duas das bandeiras da esquerda, serem aprovados esta semana em Conselho de Ministros.

E garantiu ainda que não definiu linhas vermelhas. "Procuro sempre encontrar linhas verdes para o caminho que há a seguir. E, como diz a canção do Jorge Palma, enquanto há caminho para andar vamos continuar a caminhar", atirou.

Crise política? “Isso não seria racional”

Afirmando confiar na "racionalidade" dos parceiros, Costa disse que a novidade este ano é que BE, PCP e PAN entenderam que se devia discutir nesta fase outras matérias além do Orçamento, o que levou o Governo a alargar a mesa negocial a outros temas. Mas voltou a alertar para os riscos de uma crise política na atual conjuntura, esperando "razoabilidade","bom-senso" e "sentido de equilíbrio" por parte da esquerda. "Seria absolutamente irracional depois de um drama terrível da pandemia, juntarmos agora dramas políticos. Depois da terrível crise económica se tivéssemos que juntar uma crise política. Isso não seria racional", reforçou.

Questionado sobre as dificuldades das negociações, Costa reafirmou que "nunca foi fácil", mas que tem sido sempre possível viabilizar os Orçamentos à esquerda, ultrapassando-se desde 2016 "sucessivos bloqueios". O esforço que temos todos que fazer, sublinha, é "aproximarmo-nos". "Se todos começarem a traçar linhas vermelhas, a impor condições e a fazer ultimatos, não vamos a lado nenhum", advertiu.

Sobre o risco de eleições antecipadas, Costa repetiu as palavras do Presidente da República – que alertou para o custo do chumbo do OE – e pediu um "esforço acrescido" para evitar a "solução mais radical".

Esta semana, o primeiro-ministro estará também presente em reuniões com as delegações do PAN e do PEV, no âmbito das negociações do OE2022. Antes ou depois do Conselho Europeu, em datas a agendar.

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