Política

Marcelo e a Champions: "Ainda perguntei se aqui na Eslovénia há santos populares. Mas disseram-me: 'não, não temos"

31 maio 2021 18:42

hugo delgado/lusa

Marcelo não comenta resposta de Costa às suas críticas à bolha que afinal não foi bolha na final da Champions. "Não comento nada. Nem o que foi dito, nem o que se passou". Na Eslovénia, o Presidente usou os elogios que ouviu a Portugal e puxou pelo turismo: "Até o enfermeiro que me fez o teste me disse que é em Portugal que vai passar férias". A sua fórmula para o desconfinamento é a moderada: "nem facilitismos nem alarmismos"

31 maio 2021 18:42

Presidente da República não quis comentar a explicação dada esta segunda-feira pelo primeiro-ministro ao que correu mal na final da Champions no Porto. "Não comento nada sobre Portugal. Nem o que foi dito, nem o que se passou", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, durante a visita oficial que está a realizar à Eslovénia e onde defendeu que o desconfinamento deve ser feito de forma "equilibrada, sem facilitismos nem alarmismos".

Questionado sobre o impacto dos festejos do Porto nos próximos eventos populares, a começar pelos santos populares durante o mês de junho e para os quais ainda não há regras, Marcelo foi irónico: "Não vou comentar questões de Portugal e aqui não há santos populares. Eu ainda perguntei, mas disseram-me: 'não, não temos". Caberá ao Governo e à DGS dizer como vai ser.

Depois de ter criticado indiretamente o Governo por ter dito que tudo na final da Champions funcionaria num circuito fechado - "Não é possível dizer que os adeptos vêm em bolha e depois não vêm em bolha", afirmara no domingo - o Presidente não quis comentar a reação do primeiro-ministro ao que reconheceu ter corrido pior.

António Costa, que começou por não querer comentar o assunto a quente, explicou esta segunda-feira que os adeptos que vieram só para o jogo vieram em bolha, mas outra coisa foram os turistas que, estando as fronteiras abertas, aproveitaram para ver o jogo de forma festiva nas ruas do Porto. Marcelo não quis comentar, mas a sua declaração de domingo antecipava a necessidade de "dizer que uns vêm em bolha, outros não vêm em bolha e é preciso dizer o que é que se faz aos que não vêm".

Reconhecendo que estando o país a viver a fase de verdadeiro desconfinamento, durante "um mês e meio, dois meses" é normal haver "fundamentalismos dos dois lados", Marcelo Rebelo de Sousa diz que "os moderados têm que avançar no meio". Pela sua parte, o Presidente defende a linha moderada, "de equilíbrio entre saúde e economia", e mostra-se convicto de que "o desconfinamento vai continuar, já não é possível voltar atrás, o mais difícil está feito e não vamos estragar o que deu tanto trabalho a fazer".

Numa verdadeira campanha pelo turismo nacional, o Presidente falou longamente da avaliação muito positiva que ouviu as autoridades eslovenas fazerem da gestão da pandemia em Portugal: "Ouvi muitos elogios e até o enfermeiro que me fez o teste à entrada aqui na Eslovénia me disse que já decidiu onde vai passar férias, e será em Portugal", relatou.

"A experiência portuguesa é vista com muito apreço", insistiu Marcelo, referindo repetidamente a importância do turismo na reabertura económica e social do país.