Política

Expresso repudia a acusação de “descontextualização”. Oiça aqui o áudio da entrevista à ministra Ana Mendes Godinho

15 agosto 2020 23:43

A ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social emitiu um comunicado em que diz que o Expresso a descontextualizou de forma grave. Pode ouvir aqui o áudio e ler a resposta completa

15 agosto 2020 23:43

O Ministério do Trabalho e da Segurança Social emitiu um comunicado este sábado, que não enviou para o Expresso, a dizer que a “frase escolhida para título” da entrevista publicada no jornal - “a dimensão dos surtos nos lares não é demasiado grande” - “foi descontextualizada de forma grave”. A resposta completa da ministra Ana Mendes Godinho pode ser ouvida no áudio abaixo reproduzido.

Pode ler aqui também a resposta completa tal como foi publicada nas edições em papel e online: “Tivemos 365 surtos [em abril] e temos 69 agora! Claramente, temos menos incidência. Temos 3% do total dos lares e temos 0,5% das pessoas internadas em lares que estão afetadas pela doença! A dimensão dos surtos não é demasiado grande em termos de proporção. Mas, claro, isto não significa que não devamos estar preocupados.”

Segundo o comunicado da ministra, “retirar uma parte essencial da frase, descontextualizando-a, e dando assim a entender que o Governo não considera graves os números de mortes em lares em Portugal, é um ato grave e que, como tal, deve ser desmentido”. No entanto, em nenhuma parte da mesma entrevista, Ana Mendes Godinho diz que considera “graves” o número de mortes nos lares. Nem o Expresso o escreveu.

Aliás, em toda a entrevista, a ministra não só não considera “graves” as mortes nos lares como as relativiza comparativamente ao que acontece nos outros países, como é possível verificar na resposta à primeira pergunta das jornalistas do Expresso: “Não faz muito sentido estar permanentemente a falar de casos concretos”, afirmou Ana Mendes Godinho, que prosseguiu assim: “Reguengos é um dos surtos que tivemos. A minha preocupação tem de ser estrutural. Em abril tínhamos 365 surtos em lares e hoje [quinta-feira] temos 69 ativos, o que significa que houve uma grande capacidade de acompanhamento. Se nos compararmos com outros países da Europa, 38,8% das mortes ocorridas em Portugal são de pessoas que estavam em lares, em França a taxa de incidência é de 50%, na Bélgica de 51%, em Espanha de 60%... Desde março temos uma taskforce quase permanente com o sector social a acompanhar as instituições para perceber onde são precisos mecanismos adicionais de ajuda. Os reforços financeiros já ultrapassam os 200 milhões de euros.”

Nota da direção: o Expresso disponibiliza o áudio da entrevista para que não existam dúvidas sobre a resposta dada pela ministra. O Expresso reproduziu de forma correta a conversa que os jornalistas mantiveram com a senhora ministra e repudia as acusações feitas.