Política

O desconfinamento de Marcelo: a crise como chance de voltar às pessoas

Proximidade com distanciamento: o Presidente irá para o terreno medir a temperatura dos efeitos económicos e sociais da crise

antónio pedro santos/lusa

Esta é a hora do Governo. Mas, mal possa, o Presidente irá para o terreno tomar o pulso à crise.

1 maio 2020 15:45

“Se as coisas estiverem a correr bem, o Presidente admitirá sair para contactar os sectores que abriram”, confirmou ao Expresso a sua Casa Civil — sublinhando que tudo vai depender do que se irá passar nos primeiros 15 dias de maio e da decisão que o Governo irá anunciar a 14, quando terminar o atual período de estado de calamidade. Se a abertura tiver corrido bem e permitir ao Presidente pôr de pé o seu programa, basta ver os sectores entretanto reativados — pequeno comércio, fábricas, creches, livrarias, cabeleireiros, depois restaurantes, mais tarde lares de idosos — para ter uma ideia de como a crise lhe pode, inesperadamente, oferecer um guião para a pré-campanha eleitoral que nos próximos meses antecederá as presidenciais de janeiro.

“Por enquanto, ainda é navegar à vista”, previne-se em Belém. Porque para um Presidente da República que fez da rua o palco, saber quando voltar, como voltar e quem contactar ainda envolve muitas incógnitas. Mas esta semana, após comemorar o 25 de Abril, Marcelo aproveitou uma ação de apoio aos sem-abrigo para ensaiar como se faz a política de proximidade em pandemia. De máscara e luvas, inaugurou o toque de cotovelo, trocou palavras com um sem-abrigo, máscara a máscara, e arriscou selfies à distância. E vai ser assim. Com as restrições de quem sabe que não pode antecipar com o seu comportamento abusos que estraguem a contenção pedida pelos políticos ao país, Marcelo Rebelo de Sousa tem uma certeza: quer continuar a monitorizar de perto o impacto da epidemia na vida de empresas e famílias, depois de o ter feito com as audiências que concedeu em Belém. É inevitável que acabe por ser um interlocutor no terreno de reivindicações, frustrações, projetos e esperanças. Isso continuará a garantir-lhe um papel central na gestão desta crise e um estatuto de válvula de escape no contacto com as pessoas.

Este é um artigo exclusivo. Se é assinante clique AQUI para continuar a ler. Para aceder a todos os conteúdos exclusivos do site do Expresso também pode usar o código que está na capa da revista E do Expresso.

Caso ainda não seja assinante, veja aqui as opções e os preços. Assim terá acesso a todos os nossos artigos.