Política

Costa e Centeno discutiram em pleno Conselho Europeu

Portugueses trocaram argumentos durante a reunião dos primeiros-ministros europeus. Motivo? O primeiro orçamento da zona euro. O presidente do Eurogrupo ganhou

13 dezembro 2019 23:00

David Dinis

David Dinis

Director-adjunto

Susana Frexes

Susana Frexes

correspondente em Bruxelas

Em sintonia na gestão doméstica, António Costa abre um conflito com Mário Centeno sobre outro orçamento — o primeiro da história da zona euro, que o ministro das Finanças português conseguiu negociar enquanto presidente do Eurogrupo. O que para Mário Centeno é um orgulho, para António Costa é um falhanço. De tal forma que a divergência, reservada aos bastidores durante os últimos meses, acabou de estourar na praça pública esta semana: primeiro, discretamente, no Parlamento português; ontem em pleno Conselho Europeu. E com estrondo, porque Costa decidiu levar o descontentamento para a reunião de líderes na manhã desta sexta-feira, onde Centeno estava presente, como líder do Eurogrupo.

A intervenção de Costa resultou numa troca de argumentos entre Costa e Centeno em plena sala do Conselho Europeu. “Sim”, houve uma discussão direta entre os dois, explica uma fonte europeia, acrescentando que “demorou algum tempo”. O que deveria ter sido um questão rápida e sem discussão, tornou-se num ponto polémico. O clima gerou perplexidade na sala e acabou exposta nas notícias internacionais: “Awkard” (“estranho”, ou “desajustado”), escreveu o jornal digital “Politico”, lembrando como a crítica do primeiro-ministro “mina o trabalho do seu ministro e presidente do Eurogrupo”. Costa “quis mudar o texto das conclusões de forma a retirar a referência aos termos do instrumento orçamental” negociados “pelo ministro das Finanças português enquanto presidente do Eurogrupo”, conta fonte europeia ao Expresso. Perdeu neste ponto. A referência aos “termos” que lhe desagradam ficaram. Nesta primeira batalha, Centeno ganhou também apoios, com “vários líderes” a sublinhar que não devia ser reaberta a negociação que ocorreu no Eurogrupo, e com a qual Portugal também concordou. Mas ainda não é certo como termina o conflito entre portugueses. Até porque, no braço de ferro, o primeiro-ministro conseguiu incluir uma frase extra no documento da reunião, abrindo a porta para que o assunto volte a ser discutido durante as negociações do Orçamento Comunitário para o período de 2021 a 2027.

Este é um artigo exclusivo. Se é assinante clique AQUI para continuar a ler (também pode usar o código que está na capa da revista E do Expresso).

Torne-se assinante