Política

Rio afasta Mota Amaral da lista das europeias

13 março 2019 10:06

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

josé coelho/lusa

Só há uma dúvida nos seis lugares considerados elegíveis. Líder do PSD só apresenta lista à sua própria direção hoje, antes do Conselho Nacional

13 março 2019 10:06

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

Nos seis primeiros lugares da lista do PSD às eleições europeias há apenas uma dúvida. Paulo Rangel é o cabeça de lista, já se sabe, e Lídia Pereira, a militante da JSD e presidente da juventude europeia do PPE, foi a surpresa escolhida por Rui Rio para n.2, depois de Miguel Poiares Maduro ter declinado o convite para integrar a lista. Outros três nomes já são dados como garantidos: Álvaro Amaro, presidente da Câmara da Guarda e dos Autarcas Sociais-Democratas; José Manuel Fernandes, eurodeputado e presidente da distrital de Braga do PSD, e Claudia Aguiar, eurodeputada que voltou a se indicada pelo PSD-Madeira. Ou seja, há apenas um nome em dúvida, nos seis que são dados como elegíveis.

A dúvida será desfeita esta tarde, numa reunião de Rui Rio com a sua direção, e logo à noite, quando a lista for apresentada ao Conselho Nacional do partido para aprovação oficial. Uma coisa é certa: o lugar que falta preencher não será entregue a João Bosco Mota Amaral. Rio não gostou da forma como o histórico do PSD e ex-presidente do governo dos Açores tentou impor a sua presença nos seis primeiros lugares, e está decidido a deixá-lo fora desse lote restrito.

Ao que o Expresso apurou, hoje será a primeira vez que Rio discutirá a lista das europeias com a direção do partido - o assunto apenas foi aflorado há umas semanas, quando o líder social-democrata explicou as razões por que não deu a Mota Amaral um lugar elegível - sobretudo pela necessidade de renovação, tendo em conta que o açoriano se mantém na política ativa desde antes do 25 de abril (estreou-se como deputado da Ala Liberal, presidiu ao Governo Regional dos Açores e chegou a presidente da Assembleia da República). Para Rio, é hora de dar lugar a outros protagonistas, até porque, mesmo ao nível dos Açores, Mota Amaral já foi preterido, não tendo integrado a lista de candidatos nas legislativas de 2015 - o que não impediu que o PSD regional o tenha agora indicado para Bruxelas.

No Público de hoje, Mota Amaral confirma que Rio informou o PSD-Açores de que lhe reserva o oitavo lugar, e garante que essa despromoção não só contraria a tradição de sempre do PSD (ter em lugar elegível candidatos das duas regiões autónomas), como o compromisso assumido por Rio. "Espero que haja um volte-face e que o PSD honre os seus compromissos para com a Região Autónoma dos Açores", disse Mota Amaral, lembrando que, quando esteve nos Açores na campanha interna contra Santana Lopes, Rio deu a "garantia" de que manteria o candidato açoriano ao Parlamento Europeu em lugar elegível.

Há duas mulheres na pole position para o lugar que resta, ambas da atual direção do PSD, e ambas especialistas em questões europeias: Isabel Meireles, vice-presidente, e Maria da Graça Carvalho, membro da comissão política. Mas Rio gosta de surpreender e há quem admita que o volte a fazer hoje - até porque faz questão de, sempre que pode, contrariar as fugas de informação que chegam aos jornalistas.