Deixar o Mundo Melhor

Marcelo Rebelo de Sousa: “Eu era e sou um solitário. E a minha vida em Belém é cada vez mais assim, até para me defender”

14 julho 2022 23:00

Em entrevista a Francisco Pinto Balsemão, no podcast Deixar o Mundo Melhor, o presidente da República fala de aspetos da sua vida pessoal e política que raramente abordou antes. Tudo sob o manto do providencialismo que, segundo o próprio, determinou sempre as decisões que tomou. “Além de católico, sou Fatimista e providencialista. Quer dizer, há momentos onde sinto o apelo 'tenho de fazer isto' e faço.” Marcelo Rebelo de Sousa fala ainda dos 'efeitos muito pesados' de uma Presidência 'intensa', a braços com uma pandemia, a guerra na Ucrânia, a agenda sobrecarregada e de como tudo isso acaba por ter custos na vida afetiva e sentimental

14 julho 2022 23:00

tiago miranda

Marcelo Rebelo de Sousa nasceu em Lisboa a 12 de dezembro de 1948. Licenciado em Direito com notas excelentes, foi Professor Catedrático na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, mas também jornalista, deputado, ministro, líder do PSD e comentador político em jornais e canais de televisão. Entrou para o Jornal Expresso ainda antes do lançamento, em 1972, e chegou a dirigi-lo entre 1980 e 1983. Nesta entrevista a Francisco Balsemão, admite que a passagem por este jornal foi "decisiva" na sua vida. Em 1976 exerceu o mandato de deputado à Assembleia Constituinte e, entre 1996 e 1999, foi presidente do PSD, partido no qual militou desde a fundação. É o 20º Presidente da República Portuguesa e cumpre agora o segundo mandato, que começou em plena pandemia de covid-19. Católico assumido, diz que não é ortodoxo, mas sim 'fatimista'. "Vou a Fátima de 15 em 15 dias". Gosta de rezar entre o céu e o mar e sente "o apelo da Providência Divina" em todas as decisões que tomou na sua vida pessoal, académica e política. "Era e sou um solitário", diz.

Porque a entrevista é relevante e dura 109 minutos, foi dividida em três episódios de podcast, que pode ouvir neste artigo ou em qualquer plataforma de podcasts que costume utilizar.

I parte

“Deito-me tardíssimo. Durmo pouco, três horas e meia, quatro excepcionalmente. [...] E sou hipocondríaco, assumido e teórico. Entro numa farmácia e pergunto o que há de novidades”

Dorme pouco, trabalha muito e anda sempre com uma caixinha de medicamentos. Marcelo Rebelo de Sousa assume-se como católico e 'fatimista', tem 2 filhos e 5 netos, sendo um destes um dos poucos conselheiros políticos que ouve com regularidade. Na primeira parte da entrevista a Francisco Pinto Balsemão, o atual presidente da República fala do núcleo familiar espalhado pelo mundo, a hipocondria crónica, o percurso escolar com notas brilhantes, o convite para entrar no Expresso e a vivência do 25 de abril a partir da redação, e ainda a fundação do PSD e os primeiros passos na expansão do partido pelo país.

II parte

“Nunca aderi à Opus Dei porque sou muito livre, muito independente, muito rebelde. Não sou um católico ortodoxo”

Na segunda parte da entrevista, Marcelo Rebelo de Sousa recorda o mandato de deputado à Assembleia Constituinte em 1976, a participação no VIII Governo Constitucional como Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros e, depois, como Ministro dos Assuntos Parlamentares, a carreira "improvável" como líder partidário, o comentário político primeiro em jornais e depois na televisão, a ligação à Opus Dei e o 'apelo da Providência Divina', que sente profundamente e que - assume - marca todas as escolhas que fez na vida.

III parte

“As declarações que faço são todas intencionais e visam picar balões e controlar preventivamente acontecimentos, numa altura em que pode resvalar rapidamente. Nós, nas democracias, estamos há muito tempo muito emocionais, muito pouco racionais”

Na terceira e última parte da entrevista, o presidente da República assume-se como um solitário "cada vez mais só em Belém", fala da pandemia como o fator que o "obrigou" a candidatar-se a um segundo mandato, o gosto especial pela política externa, a agenda sobrecarregada e "pica-balões", a relação com António Costa, que conhece desde os 19 anos deste, e a boa relação com os portugueses nas ruas: "Já alguém o insultou? Por exemplo, nunca ninguém lhe chamou lelé da cuca? Não, não."

tiago miranda

Francisco Pinto Balsemão lança o podcast ‘Deixar o Mundo Melhor’ para assinalar o início das comemorações dos 50 anos do Expresso. Durante 50 semanas, e em contagem decrescente para o dia de aniversário a 6 de janeiro de 2023, o fundador e primeiro diretor do jornal entrevista 50 personalidades marcantes dos mais diversos setores da sociedade.

Com música original de Luís Tinoco, a sonoplastia é de Joana Beleza e João Luís Amorim, o vídeo e a edição de José Cedovim Pinto, Carlos Paes e Rúben Tiago Pereira. A transcrição é de Joana Henriques e o apoio à edição de Manuela Goucha Soares. Imagem gráfica de Marco Grieco e produção de Margarida Gil.

‘Deixar o Mundo Melhor’ pode ser ouvido no site do Expresso e em qualquer plataforma de podcasts. Também pode ler uma versão sintética desta conversa na revista do Expresso de 15 de julho. Oiça aqui outros episódios: