Brasileiros, que tal?

Eliana Alves Cruz: “Como comemorar uma independência trazendo o coração de alguém que representa a nação de que o Brasil se separou?”

31 agosto 2022 8:00

A escritora Eliana Alves Cruz conversa com a jornalista Christiana Martins sobre o Brasil, racismo e a “invasão” do país pelos portugueses e posterior independência, comemorada no próximo dia 7 de setembro. Oiça mais um episódio do podcast Brasileiros, Que Tal?

31 agosto 2022 8:00

A escritora que se tem afirmado com romances que abordam o racismo sobre a população negra brasileira não concorda com a forma como Portugal está a participar nas comemorações de 7 de setembro. Diz que com o envio do coração de D. Pedro, “fica parecendo que a independência foi uma benesse do Estado português da época”. A relação do Brasil com Portugal não é simples de compreender, mas há certezas de que Eliana Alves Cruz não se afasta: “Sim, foi uma invasão, ninguém foi convidado a chegar no fio da espada”.

Carioca, com 56 anos, Eliana Alves Cruz escreveu quatro romances: “Água de Barrela”, em que conta a história da própria família desde o século XIX, “O crime do Cais do Valongo”, um policial no tempo de D. João VI, tendo como cenário o local onde entre 500 mil e um milhão de negros escravos foram desembarcados no Rio de Janeiro, no tempo de D. João VI. Publicou ainda “Nada digo de ti que em ti não veja”, em que dá o protagonismo a uma transexual no Brasil colónia.

d.r.

Mais recentemente conquistou as atenções dos media ao publicar “Solitária”, romance influenciado pela história verídica de uma criança que morreu ao cair do alto de um edifício em Recife, depois de ter sido negligenciada pela patroa da mãe.

Um soco no estômago, que entra na casa da classe media brasileira e aborda a vida de uma das cinco milhões de pessoas que no Brasil vivem do emprego doméstico, o que a autora diz ser o mais próximo que existe da escravidão.

tiago pereira santos

Defensora da língua brasileira, Eliana Alvez Cruz diz que no Brasil “se fala 'pretoguês', o português misturado com palavras de origem banto, iorubá e indígena”. A autora acredita que portugueses e brasileiros têm um fio condutor que os une e diz ser fascinante ver “como a língua é viva e vai explicando o povo”. Mais uma conversa do podcast “Brasileiros, que tal?”