Legislativas 2019

As legislativas à lupa (em 7 pontos, 8 mapas e 2 gráficos)

tiago pereira santos

Quais são as bases sociais dos partidos portugueses? Como mudaram em 2019? O que explica os resultados eleitorais? É sempre preciso esperar alguns meses até obtermos as respostas mais rigorosas a estas perguntas. Isso sucede porque a relação entre características dos eleitores, dos contextos onde vivem e o comportamento de voto deles só pode ser plenamente entendida com dados a nível individual, resultantes de inquéritos. Contudo, enquanto esperamos, há um atalho: analisar as características sociais e demográficas de unidades do território — neste caso, os concelhos — e a forma como se relacionam com a abstenção e o voto. Utilizando dados retirados da Pordata e do apuramento provisório, propomos algumas pistas sobre o que se passou nas eleições do dia 6 de outubro

13 outubro 2019 10:44

Sofia Miguel Rosa

Sofia Miguel Rosa

infografia

Jornalista infográfica

No território nacional votaram cerca de 5,1 milhões de pessoas. Em 2005, foram 5,7 milhões. Para dar uma ideia simples do que significam estes números, basta pensar que esses 600 mil votantes perdidos numa década e meia seriam suficientes para formar o terceiro maior partido nacional.

E no entanto, independentemente da tendência, há muito de estrutural na abstenção. Quem queira prever a taxa de abstenção em cada concelho do território nacional numa eleição pode simplesmente usar a abstenção da eleição anterior, e explicará mais de 80% das diferenças entre concelhos. Isso sucede porque as características de cada concelho que ajudam a explicar a abstenção são também estáveis. Por exemplo, quanto maior a percentagem da população que trabalha no sector primário e quanto mais baixas forem as qualificações escolares dessa população, maior será a abstenção.

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