Legislativas 2019

PSD. O não-tabu que é o maior tabu: para onde vai Rio?

7 outubro 2019 1:48

Nuno Fox

Fotógrafo

nuno fox

O líder social-democrata reconheceu a derrota (embora apontado o dedo a muitos outros culpados), mas manteve dois grandes tabus: recandidata-se ou não à liderança do PSD? Apoia ou não um Governo socialista? Rui Rio não o quis dizer

7 outubro 2019 1:48

Nuno Fox

Fotógrafo

Sorrisos, gritos efusivos e longos aplausos. Quem entrasse no quartel-general do PSD sem ter acompanhado as últimas horas desta noite eleitoral seria capaz de jurar que Rui Rio tinha acabado de derrotar António Costa. Mas não, não derrotou. O líder social-democrata, e outros antes dele, como David Justino, Paulo Mota Pinto, Morais Sarmento ou Manuela Ferreira Leite, decidiram servir o copo meio-cheio e assim o fizeram nesta noite eleitoral. Mas foi o líder social-democrata quem elevou o exercício ao seu expoente máximo.

Durante os 20 minutos que demoraram o discurso de Rio, a derrota histórica (em linha com os resultados de Ferreira Leite e Santana Lopes) passou a “resultado positivo” e “praticamente idêntico” ao de Pedro Passos Coelho. A “grande derrota”, insistiu Rui Rio, só existe mesmo na cabeça dos detratores, dos profetas da desgraça, dos que nunca “esconderam o desejo” pela “hecatombe eleitoral”. E a leitura dos resultados distritais em Lisboa (22,40%) e no Porto (31,16%) foi trocada pela leitura dos resultados nos concelhos para provar a tese de que “o PSD deu nestas eleições um passo em frente para reconquistar a confiança dos portugueses”. Sempre aplaudido, sempre acompanhado por grandes demonstrações de apoio - em contraste absoluto com que foi a noite no Hotel Marriott, que foi feita de tudo menos de rostos felizes.

1 / 13
1 / 13

nuno fox

2 / 13
2 / 13

nuno fox

3 / 13
3 / 13

nuno fox

4 / 13
4 / 13

nuno fox

5 / 13
5 / 13

nuno fox

6 / 13
6 / 13

nuno fox

7 / 13
7 / 13

nuno fox

8 / 13
8 / 13

nuno fox

9 / 13
9 / 13

nuno fox

10 / 13
10 / 13

nuno fox

11 / 13
11 / 13

nuno fox

12 / 13
12 / 13

nuno fox

13 / 13
Rui Rio continua a deixar os seus adversários à espera de uma decisão
13 / 13

Rui Rio continua a deixar os seus adversários à espera de uma decisão

nuno fox

“Não há desastre, não há desastre nenhum. Não há uma grande derrota. Derrota é o que estavam a profetizar. Não houve”, disse, insistiu e repetiu Rio. A retórica política, alimentada por um resultado que ficou efetivamente acima das piores expectativas, serviu essencialmente para ganhar tempo e argumentos: o que fará Rui Rio depois deste domingo?

Primeiro, no plano interno. O presidente do PSD recandidata-se ou não à liderança do PSD? Primeira, segunda e terceira perguntas... Rio resistiu sempre. “A política não tem essa rapidez. Tem de ter ponderação, serenidade. É assim que a maturidade manda fazer”, foi descartando Rio, que até se deu ao luxo de falar na terceira pessoa. “Não há tabu só porque não responde no primeiro minuto. Rui Rio pondera. Calma, calma”. Ao seu lado, Maló de Abreu e David Justino sorriam, cúmplices. A mensagem que o líder queria passar era uma: conseguiu este resultado apesar do PSD e de uma “instabilidade [interna] de uma dimensão nunca antes vista e exclusivamente motivada por ambições pessoais”.

Se a linguagem verbal (o presidente do PSD apareceu na conferência de imprensa acossado, atirando contra os adversários internos e contra a comunicação social) e a não verbal (a do próprio e a dos que o acompanhavam no palco) contassem a conclusão é de que Rio quer e vai tentar continuar. Em determinado momento, aliás, o líder social-democrata chegou mesmo a falar das eleições autárquicas de 2021 como o grande objetivo do partindo - recordando que já o tinha dito no congresso de entronização (e disse-o), como se estas legislativas nunca tivessem sido para ganhar..

Mas a continuidade de Rio depende não só apenas da vontade do próprio partido (o núcleo duro do líder espera agora pelos sinais dos putativos adversários), mas também do que fará António Costa. Os sociais-democratas estão dispostos a dar mão ao Governo socialista se tiverem como contrapartida reformas estruturais importantes, algo que os próprios apoiantes de Rio reconhecem estar no plano do improvável. Foi sempre essa condição para continuar em caso de derrota eleitoral. Esta noite, Rio limitou-se a repetir a disponibilidade para “colaborar [com reformas estruturais] e até para convencer os outros. “É isso que eu estou aqui a fazer e mais nada. Não sei o que o PS quer fazer”, garantiu.

Apesar das palavras de Rio, existe efetivamente um tabu e o líder social-democrata não o quis declaradamente esclarecer. “Vamos analisar a envolvente política”, comprometeu-se apenas o presidente do PSD. Rio é imprevisível e performance desta noite eleitoral pode ter sido o adiar de um anúncio de demissão. Ou não. Os adversários internos terão de esperar, porque Rui Rio vai manter o suspense.