Guerra na Ucrânia

Ex-comandante do grupo russo Wagner foge para Noruega e prepara testemunho

16 janeiro 2023 12:14

Medvedev, que serviu no destacamento de assalto Wagner, concordou em testemunhar

anadolu agency

Esta é a primeira vez que um ex-comandante de uma das unidades paramilitares do grupo Wagner, muito presente no leste ucraniano e acusado de ter matado milhares de ucranianos, foge da Rússia para a Europa

16 janeiro 2023 12:14

Um ex-comandante do grupo mercenário russo Wagner revelou ter fugido da Rússia para a Noruega, escapando de cães de guarda enquanto o serviço federal de segurança (ex-KGB) tentava alvejá-lo pelas costas.

"Corri e corri e corri numa superfície gelada até chegar à primeira cidade [norueguesa] e pedir ajuda", contou o veterano Andrei Medvedev.

Como indica num vídeo enviado à organização russa de defesa dos direitos humanos Gulagu.net - que mostrou as imagens no canal Telegram -, o ex-comandante do grupo Wagner conseguiu fugir da Rússia no dia 12, entrando na Noruega através da fronteira na cidade fronteiriça de Nikel, na região de Murmansk.

Medvedev pediu asilo político e proteção internacional e conseguiu ser alojado num centro para infratores das leis migratórias.

"Estou muito feliz por estar na Noruega e pelo tratamento que me deram", garantiu.

Esta é a primeira vez desde o início da campanha militar russa na Ucrânia, a 24 de fevereiro, que um ex-comandante de uma das unidades paramilitares do grupo Wagner, muito presente no leste ucraniano e acusado de ter matado milhares de ucranianos, foge da Rússia para a Europa.

Medvedev, que serviu no destacamento de assalto Wagner, concordou em testemunhar e expor o fundador do grupo mercenário, Yevgeny Prigozhin, acrescentou a Gulagu.net. "Espero que o meu depoimento seja fundamental para a investigação sobre [o grupo] Wagner", referiu o ex-combatente.

No início de dezembro de 2022, o ex-comandante Wagner recorreu à Gulagu.net e ao seu fundador, Vladimir Osechkin, para pedir ajuda e evitar represálias extrajudiciais.

Medvedev deixou de combater pelo grupo Wagner assim que acabou o seu contrato de quatro meses, assinado em 6 de julho de 2022.

"Durante esses meses [em que fez parte do grupo paramilitar], foi testemunha ocular de muitas execuções dos chamados 'refuseniks', aqueles que se recusaram a lutar contra os ucranianos e quiseram deixar o grupo mercenário", lembrou a Gulagu.net.

"Depois de Medvedev ter deixado o grupo Wagner, o próprio Prigozhin e o seu serviço de segurança tomaram medidas para capturar Andrei", acrescenta a organização, que sustenta que o ex-comandante pode agora dar um testemunho detalhado que pode ser usado como parte de uma investigação.