Guerra na Ucrânia

Putin promete investimento militar sem limites, puxa as orelhas à Defesa e lamenta mortes em combate, uma "tragédia comum"

21 dezembro 2022 14:50

Tiago Soares

Tiago Soares

Jornalista

Sergei Shoigu e Vladimir Putin

getty

Num discurso perante as mais altas patentes militares russas esta quarta-feira, o líder russo assegurou que vai “aumentar o potencial militar” do país, incluindo mais tecnologia e equipamentos. Contudo, também exigiu: o ministro da Defesa tem de coordenar melhor o esforço de guerra. Os objetivos militares na Ucrânia vão ser cumpridos, prometeu

21 dezembro 2022 14:50

Tiago Soares

Tiago Soares

Jornalista

Vladimir Putin discursou esta quarta-feira perante altas patentes militares russas. O Presidente russo garantiu que a Rússia vai continuar a apostar nas suas forças armadas e que o dinheiro não é um obstáculo a esse investimento. Os interesses da “operação militar especial” na Ucrânia vão ser cumpridos, assegurou.

"A Rússia vai aumentar o seu potencial militar", afirmou o líder do Kremlin, acrescentando que “os principais países da NATO estão todos a combater a Rússia" e por isso as armas nucleares de Moscovo estão “prontas” caso sejam necessárias.

“A nossa força reside na unidade do povo e das Forças Armadas”, sublinhou Putin. Agradecendo o papel da população nos últimos meses de guerra, o presidente admitiu que o Estado russo “tem de melhorar" e que o ministério da Defesa deve acatar as críticas feitas pela sociedade civil.

“Os soldados devem ter todos os equipamentos necessários, e estes devem ser confortáveis e modernos”, afirmou, sublinhando que as formas de financiamento e as normas burocráticas e administrativas “devem ser alteradas” caso dificultem a melhoria das condições no terreno.

Putin apontou ainda a vontade de “melhorar os sistemas de comunicações” dentro das forças armadas russas, assim como a necessidade de produzir drones aéreos – apesar das suas tropas estarem atualmente a usar drones iranianos na Ucrânia.

Além disso, reconheceu que a mobilização parcial trouxe alguns problemas – e por isso é preciso “mudar as regras dos centros de recrutamento.” E deixou uma palavra aos soldados que já perderam a vida a travar esta guerra: as mortes em combate são uma “tragédia comum”, declarou, citado pela Al-Jazeera.

Idade para serviço militar vai aumentar, objetivo é 1,5 milhões de soldados

Depois do Presidente russo falou o ministro da Defesa: Sergei Shoigu corroborou as palavras de Putin sobre o investimento em armamento moderno, e propôs aumentar a idade do serviço militar obrigatório para incluir cidadãos entre os 21 e os 30 anos.

A lei de recrutamento atualmente em vigor estabelece a obrigatoriedade entre os 18 e os 27 anos: o Kremlin tem dito várias vezes que estes recrutas não são enviados para combater na Ucrânia, mas nos últimos meses têm surgido várias provas que contradizem essa tese.

Tendo em conta a continuação da guerra na Ucrânia em 2023, Sergei Shoigu avançou um objetivo: passar a contar com 1,5 milhões de soldados nas forças armadas russas, incluindo cerca de 695 mil voluntários. O governante não estabeleceu um prazo para alcançar esta meta.

Shoigu garantiu ainda que a Rússia vai formar novas unidades militares no ocidente do país, tendo em conta a iminente entrada da Finlândia e da Suécia na NATO.