Guerra na Ucrânia

Entrevista à historiadora Stella Ghervas: "Precisamos de negociar com o inimigo. Não estou certa de que isolar a Rússia trará paz"

25 maio 2022 16:57

antonio pedro ferreira

A paz na Europa tem sido sol de pouca dura. Stella Ghervas estudou a Guerra da Sucessão Espanhola, as guerras napoleónicas, as duas guerras mundiais e a Guerra Fria para colher os ensinamentos para o que chama "engenharia da paz", algo que é preciso trabalhar em contínuo. Nesta entrevista com o Expresso, a historiadora e escritora fornece pistas para um futuro próximo, baseada nas lições do passado, e admite que a Rússia pode ser vista "como o último império na Europa" e "uma ameaça" para o chamado Ocidente

25 maio 2022 16:57

O acaso fez com que partisse de Odessa apenas duas semanas antes da eclosão da guerra na Ucrânia, em fevereiro. É uma proximidade que tem mantido ao longo da carreira, mas, ao contrário da grande maioria dos historiadores, foi preferindo familiarizar-se com a paz. Stella Ghervas, historiadora e professora de História da Rússia na Universidade de Newcastle, nasceu na União Soviética, na atual Moldávia, passou os verões da infância em Odessa e diz-se "uma filha da Perestroika". Dedicou o seu último livro, que já está nas livrarias, à ideia da construção da paz. Porém, não é por acaso que "À Conquista da Paz: do Iluminismo à União Europeia", da editora Desassossego, é publicado em tempos de guerra. Conflitos armados na Europa são "coisa do destino", desabafa, antes de iniciar a entrevista com o Expresso.