Internacional

Cartaz de "O Padrinho", joias e documentos encontrados nas casas de chefe da máfia

20 janeiro 2023 15:54

Julgamento do chefe da máfia italiana Matteo Messina Denaro

remo casilli/reuters

Os investigadores encontraram documentos que serão analisados para determinar se poderão ajudar a reconstruir os movimentos de Messina Denaro nos 30 anos que esteve foragido da justiça

20 janeiro 2023 15:54

Um cartaz do ator Marlon Brandon no filme "O Padrinho", pedras preciosas e documentação foram encontrados pelos investigadores em três casas onde viveu o líder da Cosa Nostra, a máfia siciliana, Matteo Messina Denaro.

O chefe da máfia Matteo Messina Denaro está numa prisão de segurança máxima na cidade italiana de L'Aquila, após ter sido detido em Palermo na segunda-feira, quando se dirigia para uma clínica médica.

Messina Denaro enfrenta várias sentenças de prisão perpétua por envolvimento em dezenas de assassínios, incluindo os dos procuradores antimáfia Giovanni Falcone e Paolo Borsellino, em 1992, e o de Giuseppe Di Matteo, o filho de 12 anos de um mafioso que se tornou testemunha do Estado e que foi estrangulado e dissolvido em ácido em 1996.

As casas em que viveu o mafioso estão localizadas na cidade de Campobello di Mazara, em Trapani, na Sicília.

Os investigadores encontraram documentos que serão analisados para determinar se poderão ajudar a reconstruir os movimentos de Messina Denaro nos 30 anos que esteve foragido da justiça.

O grande cartaz de Brando, como o personagem Vito Corleone, o 'padrinho' da famosa trilogia de filmes de Francis Ford Coppola, estava na sala da primeira casa revistada, em Campobello di Mazara, a apenas oito quilómetros da sua cidade natal, Castelvetrano, o último esconderijo do homem que por três décadas foi considerado o chefe da poderosa Cosa Nostra.

Foi também encontrado um diário, onde o "capo"[chefe] escrevia as suas notas sobre, por exemplo, questões de política nacional ou mais pessoais, como a rejeição da filha, que nunca o conheceu.

Entretanto, a atenção dos investigadores está voltada para os arquivos que o chefe da máfia guardou meticulosamente com anotações e algumas contas que, segundo os meios de comunicação italianos, estimam em quase 10 mil euros as despesas mensais de Messina Denaro.

Segundo os meios de comunicação italianos, nessas pastas há nomes, apelidos, números de telefone e números que podem esconder pseudónimos e uma aparente contabilidade.

Após a descoberta do primeiro esconderijo, na quarta-feira, foi encontrada uma segunda casa na qual Messina Denaro teria morado na rua Maggiore Toselli, a cerca de um quilómetro da primeira casa, e onde descobriram um quarto escondido atrás de um armário e no qual foram encontradas jóias ou pedras preciosas.

Uma terceira casa, também naquela pequena cidade de 11.000 habitantes na província de Trapani, foi descoberta hoje e fica a menos de 200 metros da primeira. Completamente vazia, Messina Denaro parece ter morado lá até junho passado, quando, por razões desconhecidas, decidiu mudar-se para outra casa.

A primeira casa pertencia a Andrea Bonafede, conhecido de Matteo Messina Denaro desde a infância, nome que o "capo" usava nos seus documentos quando foi capturado perto da clínica La Maddalena, em Palermo, onde se submeteria a tratamento devido ao seu cancro de cólon.