Internacional

Morreu segundo manifestante ferido nos distúrbios de quarta-feira no sul do Peru

19 janeiro 2023 18:45

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Morte de Salomon Valenzuela elevou para 52 o número de vítimas mortais durante os protestos antigovernamentais no Peru, que começaram em dezembro, segundo um balanço da agência de notícias espanhola EFE

19 janeiro 2023 18:45

Um segundo manifestante, gravemente ferido depois de ter sido quarta-feira atingido por um tiro durante confrontos entre manifestantes e a polícia em Macusani, no sul do Peru, morreu esta quinta-feira, anunciou o gabinete do procurador da república local. "Salomon Valenzuela morreu hoje de manhã na sequência de ferimentos graves. Não resistiu à cirurgia no hospital de Macusani", disse à agência noticiosa France-Presse (AFP) uma fonte da procuradoria peruana.

Na quarta-feira, uma mulher de 35 anos também morreu após ser atingida por "um projétil de arma de fogo". A morte de Salomon Valenzuela elevou para 52 o número de vítimas mortais durante os protestos antigovernamentais no Peru, que começaram em dezembro, segundo um balanço da agência de notícias espanhola EFE. Os protestos antigovernamentais prosseguiam hoje, sobretudo na capital do país, Lima.

A imprensa local indicou que durante a tarde de quarta-feira foram registados incidentes e confrontos em Macusani entre manifestantes e as forças de segurança, que incluíram um ataque à sede judicial e ao posto policial daquela localidade, que foram incendiados. As imagens divulgadas durante a noite mostram um incêndio nas instalações policiais e judiciais. Agentes da polícia foram retirados da esquadra de Macusani de helicóptero.

Hoje, dezenas de milhares de pessoas, muitas delas de regiões remotas dos Andes, estão a manifestar-se em Lima contra a Presidente peruana, Dina Boluarte, e em apoio ao seu antecessor, Pedro Castillo, cujo afastamento em dezembro gerou grande agitação civil e mergulhou o país num caos político. Hoje de manhã, antes do início dos protestos, o ambiente na cidade de Lima era de uma aparente calma, com as agências internacionais a relatarem alguma tensão.

Os partidários do ex-Presidente Castillo esperam abrir um novo capítulo no movimento de contestação que dura há semanas, que exige a renúncia de Boluarte, a dissolução do Congresso, eleições imediatas e mudanças estruturais no país.

Na quarta-feira, o presidente do poder judicial peruano, Javier Arévalo, declarou ao canal de televisão local N que encontra "um padrão" nos ataques a instituições de segurança e judiciais durante os protestos antigovernamentais. "Parece que alguém está a tentar destruir a atuação da Justiça e da investigação para esconder alguma coisa e isso é preocupante", comentou.

Arévalo indicou que ataques semelhantes ocorreram noutras regiões do sul, como Cuzco, Apurímac ou Ayacucho, e pediu a Boluarte para tomar "medidas não repressivas". "Não é para tirar e atirar nas pessoas, mas sim para procurar o justo equilíbrio e pôr ordem [no país]", concretizou.

Ainda na quarta-feira, Boluarte apelou às centenas de manifestantes, concentrados na província de Lima para exigirem a sua demissão, para que realizem os protestos de forma pacífica.

As manifestações no Peru começaram em dezembro após Boluarte (que era vice-presidente) ter assumido a chefia do Estado na sequência da destituição do então chefe de Estado, Pedro Castillo, pelo Congresso, acusado de tentar executar um golpe de Estado ao anunciar a dissolução deste órgão.

Desde essa altura, milhares de pessoas têm-se manifestado a pedir a renúncia de Boluarte, novas eleições em 2023, a libertação de Castillo, entretanto condenado a 18 meses de "prisão preventiva", e justiça para as vítimas dos protestos. Mais de 300 pessoas já foram detidas.

Na sequência dos confrontos e do elevado número de vítimas, várias organizações de defesa dos direitos humanos, incluindo a Amnistia Internacional e o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, exortaram as autoridades a terminar com o "uso indevido da força contra a população civil" e assegurar o respeito pelos direitos humanos.

O Peru prolongou no fim de semana, por mais 30 dias, o estado de emergência em sete regiões do país, para tentar conter os protestos antigovernamentais.

A medida autoriza o exército a intervir para manter a ordem pública e suspende vários direitos constitucionais como a liberdade de circulação e de reunião e a inviolabilidade do domicílio, segundo um decreto publicado no sábado à noite.