Internacional

O que já se sabe sobre o ataque a Dnipro:um dia de bombardeamentos já descrito como "crime de guerra"

15 janeiro 2023 19:54

Dnipro

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Em Dnipro, um míssil atingiu um complexo de apartamentos de nove andares. Do segundo ao nono andar, a estrutura desabou. Moscovo referiu-se com gáudio ao alegado cumprimento dos objetivos militares, sem nunca referir o ataque ao prédio onde pelo menos 30 pessoas morreram e mais de 70 ficaram feridas. Alemanha já coloca a hipótese de terem sido cometidos “crimes de guerra”

15 janeiro 2023 19:54

Mísseis e explosões foram ouvidos em várias regiões da Ucrânia no sábado. Em Donetsk, cinco pessoas morreram e quatro ficaram feridas; Sumy registou um ferido, e, em Kherson, duas pessoas ficaram feridas. Mas foi para Dnipro que todas as atenções se viraram. Neste domingo, ainda decorrem as buscas entre os escombros de um prédio de apartamentos, com nove andares, que foi ‘cortado’ ao meio por um ataque com mísseis russos. Mais de 550 socorristas, agentes da polícia, médicos e voluntários continuam a trabalhar ininterruptamente para encontrar sobreviventes, já que cerca de 40 pessoas continuam desaparecidas.

Pelo menos 30 pessoas morreram na cidade do sudeste ucraniano, mas os operacionais no terreno assumem que poderá haver poucos sobreviventes., fazendo do ataque um dos mais mortíferos no que a vítimas civis diz respeito. Até ao momento, apenas uma mulher, de 27 anos, foi retirada com segurança, estando agora nos cuidados intensivos por hipotermia grave, adiantaram as autoridades locais.

Foram contabilizados 73 feridos na sequência do ataque, e 30 encontram-se hospitalizados, estando 12 em estado crítico, referiu Valentyn Reznichenko, líder da administração militar regional de Dnipropetrovsk, numa publicação na rede social Telegram. “Cerca de metade das estruturas destruídas pelo ataque russo já foram desmanteladas”, acrescentou o líder regional. Volodymyr Zelensky, Presidente ucraniano, também referiu que a maioria dos andares foi destruída no ataque; ao todo, 72 apartamentos foram destruídos e mais de 230 apartamentos ficaram danificados neste sábado. Pelo menos 400 pessoas viviam no grande prédio de apartamentos e nas imediações, de acordo com Kyrylo Tymoshenko, representante do gabinete do Presidente da Ucrânia.

O prédio habitacional de Dnipro foi atingido durante uma nova vaga ofensiva russa, com dezenas de mísseis a ser disparados em época de Ano Novo ortodoxo. Segundo a contabilidade do Estado-Maior das Forças Armadas da Ucrânia, no sábado, foram três os ataques aéreos, 57 mísseis disparados e ainda 69 ataques com sistemas de lançamento de foguetes. Reivindicando a responsabilidade pelos ataques com mísseis na Ucrânia, mas sem referir Dnipro, o Ministério da Defesa da Rússia já declarou que “todos os alvos designados foram atingidos. O objetivo do ataque foi alcançado." No mesmo comunicado é apenas referido que os disparos foram “contra sistema de comando e controlo militar da Ucrânia e instalações de energia relacionadas”.

Crime de Guerra?

A Força Aérea Ucraniana acredita que o míssil russo disparado contra o prédio de apartamentos era do tipo Kh-22, o mesmo que atingiu um centro comercial no centro da Ucrânia durante o verão, uma versão antiga de míssil de cruzeiro, menos precisa do que a maioria dos mísseis modernos. Yurii Ihnat, porta-voz da Força Aérea ucraniana, disse que o Kh-22 “foi disparado de um bombardeiro de longo alcance Tu-22M3, lançado perto de Kursk e do Mar de Azov”.

Logo após o ataque em Dnipro, agências de notícias pró-russas e bloguers militares influentes no país sustentaram que o edifício tinha sido atingido por fragmentos do míssil depois de as defesas antiaéreas ucranianas o terem tentado interceptar. As forças ucranianas negam, alegando não possuir no arsenal "armas capazes de derrubar esse tipo de míssil”.

As forças russas autoras de crimes de guerra na Ucrânia "devem ser responsabilizadas", afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, numa reação aos ataques de sábado. Em comunicado no Twitter, o governo alemão reafirma que está "firmemente do lado da Ucrânia" e pronto a apoiar Kiev militar, económica e politicamente. O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Alemanha acrescenta que os culpados ​​devem ser punidos, "incluindo a liderança que ordenou estes crimes".

Ao abrigo das convenções do direito internacional, é crime de guerra atacar - de forma deliberada ou imprudente - populações civis e locais onde os civis possam estar reunidos.