Internacional

Zelensky adverte em Washington que não haverá cedências territoriais da Ucrânia para se chegar à paz

21 dezembro 2022 23:42

alex wong

O Presidente ucraniano deixou claro na sua visita aos Estados Unidos que uma "paz justa" para terminar com a guerra movida pela Rússia não implica "nenhuma cedência" de territórios do lado da Ucrânia

21 dezembro 2022 23:42

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, realçou esta quarta-feira em Washington que uma "paz justa" para terminar com a guerra da Rússia contra a Ucrânia não implica "nenhuma cedência" na integridade territorial ucraniana.

"Para mim, como Presidente, uma 'paz justa' não implica qualquer cedência quanto à soberania, liberdade e integridade territorial do meu país", destacou o chefe de Estado da Ucrânia, durante uma conferência de imprensa ao lado do homólogo norte-americano, Joe Biden, após uma reunião bilateral na Casa Branca.

Em resposta a uma pergunta de um jornalista ucraniano, Zelensky referiu que não sabe o que é uma "paz justa" para todos.

"Tenho falado muito nas crianças, mas, como pai, gostava de enfatizar que muitos pais perderam filhos na linha da frente. O que é 'paz justa' para eles? Dinheiro ou compensações não são nada. É uma tragédia tremenda e, quanto mais a guerra durar, mais pais viverão a querer vingança", sublinhou Zelensky.

Em resposta, Joe Biden garantiu que partilha a mesma visão pela "independência da Ucrânia".

"Queremos que esta guerra acabe, e, como dissemos, isso não irá acontecer agora. Vamos ajudar a Ucrânia a ganhar no campo de batalha, o que não pode acontecer sem a nossa ajuda", destacou.

Zelensky, disse ainda o Presidente norte-americano, estará futuramente "pronto para falar [sobre a paz] porque terá ganho no campo de batalha".

Antes da reunião na Casa Branca, em declarações aos jornalistas, Biden tinha garantido a Zelensky que os EUA vão defender uma "paz justa" para a Ucrânia.

Já na conferência de imprensa, Zelensky voltou a propor "passos concretos" para alcançar a paz, sem questionar a soberania do território ucraniano.

O Presidente ucraniano explicou que discutiu com o líder norte-americano a imposição de sanções contra "o Estado terrorista da Rússia", incluindo "passos muito específicos para que os Estados Unidos nos possam ajudar a implementá-lo".

Ainda sobre o apoio à Ucrânia, Biden garantiu que os Estados Unidos vão estar ao lado de Kiev "o tempo que for necessário".

O democrata salientou ainda que "não está nem um pouco preocupado" com a força da aliança ocidental perante a invasão russa: "Nunca vi a NATO ou a UE tão unidas. Putin pensou que iria enfraquecer a NATO, mas, em vez disso, fortaleceu a NATO", frisou.