Internacional

Pouca cenoura e muito pau contra quem protesta. Reportagem dentro dos protestos na China

2 dezembro 2022 21:34

Eva Rammeloo, em Xangai

Detenção de um manifestante em Xangai no dia 27 de novembro

hector retamal/afp/getty images

Manifestações. Críticos da ditadura comunista têm dificuldade em manter a chama acesa face à dureza de Pequim

2 dezembro 2022 21:34

Eva Rammeloo, em Xangai

Quando Pei, de 28 anos, acordou na manhã de domingo, 27 de novembro, percebeu que tinha estado a dormir durante acontecimentos a que nunca assistira. Pelo ecrã do seu telemóvel passavam dezenas de vídeos de manifestações contra as restrições anticovid na China. Para registar o espírito dessa resistência — em larga medida alimentada pela morte de dez pessoas na região de Xinjiang, confinadas à força num prédio onde deflagrou um incêndio, sem conseguirem sair —, agarrou na máquina fotográfica e partiu de bicicleta. Perto da Rua Wulumuqi parou para captar umas imagens. Foi atirado ao chão por cinco agentes da polícia.

“Disseram-me para não tirar fotos. Têm muito medo de que conte a verdade.” A verdade, segundo Pei, é que o Partido Comunista Chinês (PCC) chefia um “Governo ilegal”. Prossegue: “Gosto de liberdade, democracia e de andar na internet. Tudo isso é contra a lei na China.”