Internacional

Taiwan avisa China que não irá ceder a uma invasão, como Putin fez na Ucrânia

Celebração do dia nacional em Taiwan
Celebração do dia nacional em Taiwan
DANIEL CENG SHOU YI

A Presidente Tsai Ing-wen deixou o alerta a Pequim de que a ilha não vai dar margem a “compromissos”. No seu discurso de celebração do dia nacional, comparou o conflito na Ucrânia com o objetivo da China em assumir um dia o controlo de Taiwan

A Presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, avisou hoje Pequim que a ilha não vai ceder no modo de vida democrático, no discurso proferido por ocasião do dia nacional.

"O mais amplo consenso entre o povo de Taiwan e os nossos vários partidos políticos é que devemos defender a nossa soberania nacional e o nosso modo de vida livre e democrático", afirmou.

"Neste ponto, não deixamos margem para compromissos", insistiu Tsai.

No discurso, a líder traçou um paralelo com a invasão russa da Ucrânia, que reavivou as preocupações em Taiwan sobre uma tentativa idêntica por parte de Pequim.

Tsai comparou o conflito na Ucrânia com o objetivo da China de um dia assumir o controlo de Taiwan, ilha com 23 milhões de habitantes.

"Não podemos absolutamente ignorar os riscos que estas expansões militares representam para a ordem mundial livre e democrática. Estes desenvolvimentos estão indissociavelmente ligados a Taiwan", sublinhou.

Pequim considera a ilha, que tem um governo autónomo, parte do seu território, a ser recuperada um dia, se necessário pela força, caso Taipé declare formalmente a independência.

No ano passado, Taiwan registou um recorde de 969 incursões aéreas militares chinesas, indicou a agência de notícias France-Presse, mais que o dobro das 380 incursões em 2020.

Em março, o porta-voz do Ministério da Defesa da China Wu Qian rejeitou as "tentativas do Partido Progressista Democrático" (PPD, no poder em Taipé) de estabelecer paralelos "entre a questão da Ucrânia e a questão de Taiwan".

"Taiwan não é a Ucrânia. A questão de Taiwan é um assunto interno da China, que não tolera qualquer interferência estrangeira", afirmou o porta-voz.

China e Taiwan vivem como dois territórios autónomos desde 1949, altura em que o antigo governo nacionalista chinês se refugiou na ilha, depois da derrota na guerra civil frente aos comunistas.

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