Internacional

Arménia e Azerbaijão acusam-se de novos bombardeamentos e violação de cessar-fogo

14 setembro 2022 15:47

Segundo as autoridades de Erevan, pelo menos 49 dos seus soldados foram mortos desde que os combates começaram, na terça-feira, enquanto o governo de Baku alega ter perdido 50 militares

14 setembro 2022 15:47

A Arménia e o Azerbaijão acusaram-se hoje mutuamente de novos bombardeamentos, depois de terem violado, na terça-feira, um cessar-fogo na fronteira comum, alcançado sob mediação da Rússia.

O Ministério da Defesa da Arménia acusou as forças do Azerbaijão de ter enviado, durante a madrugada, ‘drones’ (aeronaves não tripuladas) de combate para a estância balnear arménia de Jermuk e de voltar a bombardear, com artilharia e morteiros, durante a manhã, as vilas de Jermuk e de Verin Shorzha, perto do lago Sevan.

Os militares do Azerbaijão, por sua vez, acusaram as forças arménias de bombardear as suas posições nos distritos de Kalbajar e Lachin, perto da região separatista de Nagorno-Karabakh.

Segundo as autoridades de Erevan, pelo menos 49 dos seus soldados foram mortos desde que os combates começaram, na terça-feira, enquanto o governo de Baku alega ter perdido 50 militares.

Os dois países estão em conflito há várias décadas por causa da região de Nagorno-Karabakh, que faz parte do Azerbaijão, mas que está sob controlo de forças de etnia arménia apoiadas por Erevan desde que uma guerra separatista terminou, em 1994.

O Azerbaijão recuperou grandes áreas de Nagorno-Karabakh e territórios adjacentes mantidos pelas forças arménias numa outra guerra, que decorreu durante seis semanas, em 2020, provocando então a morte de mais de 6.600 pessoas. Este novo episódio do confronto histórico entre os dois países acabaria após um acordo de paz mediado pela Rússia.

Desde então, Moscovo enviou cerca de 2.000 soldados para a região para manter a paz e o cumprimento do acordo.

Face ao regresso das hostilidades, a Rússia tentou negociar, na terça-feira, um acordo de cessar-fogo entre as duas ex-repúblicas soviéticas do Cáucaso do Sul, já que mantém fortes laços nas áreas da economia e da segurança com a Arménia, que abriga uma base militar russa, e uma cooperação estreita com o Azerbaijão, rico em petróleo.

“Apesar dos apelos da comunidade internacional e do acordo de cessar-fogo alcançado, as forças armadas arménias continuam os ataques e provocações na fronteira, usando artilharia e outro armamento pesado”, apontou o Ministério da Defesa do Azerbaijão, num comunicado hoje divulgado.

A mesma fonte adiantou que dois civis do Azerbaijão ficaram feridos no bombardeamento arménio dos distritos de Kalbajar e Lachin.

O Governo arménio anunciou, entretanto, que vai pedir oficialmente ajuda à Rússia no âmbito de um tratado de amizade entre os dois países e que pretende apresentar o mesmo pedido às Nações Unidas e à Organização do Tratado de Segurança Coletiva (CSTO), uma aliança de segurança criada em 1992 pelas ex-repúblicas soviéticas, que é dominada por Moscovo.

O Presidente russo, Vladimir Putin, e líderes de outros países-membros da CSTO discutiram a situação, num telefonema realizado na terça-feira, pedindo o fim rápido das hostilidades e decidindo enviar uma missão de altos funcionários da aliança para a região.

O porta-voz da Presidência russa (Kremlin), Dmitri Peskov, explicou que a missão irá fazer um relatório sobre os desenvolvimentos aos líderes dos Estados-membros da CSTO, admitindo, numa conferência de imprensa hoje realizada, que a situação continua muito tensa.

Putin tem marcado para sexta-feira uma reunião com o Presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, em Samarcanda, no Uzbequistão, onde ambos participarão da cimeira da Organização de Cooperação de Xangai, um grupo dedicado à segurança da região no qual Rússia e China têm uma forte influência.