Internacional

Liz Truss: quem é a “Thatcher 2.0” que já foi anti-monarquia e pró-drogas leves e agora sucede a Boris Johnson

5 setembro 2022 13:10

Ana França

Ana França

Jornalista

Liz Truss, ministra britânica dos Negócios Estrangeiros

leon neal

Correu tudo como Liz Truss planeou - perante a perplexidade de conservadores, trabalhistas e até da sua própria família, que é de esquerda. A mulher que muitos descrevem como a “verdadeira conservadora” e que promete dar prioridade ao corte de impostos mesmo numa altura em que os custos da energia exigem pacotes de ajuda às famílias mais carenciadas, convenceu o eleitorado conservador - mais ou menos 180 mil britânicos. Agora resta saber se vai saber conquistar a “parede vermelha” trabalhista, no norte e centro do país, que em 2019 caiu para Boris Johnson mas que, desde então, as sondagens mostram pouco inclinada a repetir o voto de confiança

5 setembro 2022 13:10

Ana França

Ana França

Jornalista

A “última conservadora verdadeira”, “Thatcher 2.0”, “rainha do Instagram político”. Elizabeth Truss nasceu demasiado tarde para poder dizer-se uma yuppie, mas ler os discursos que tem feito desde que se juntou aos conservadores, e principalmente aqueles que escreveu já depois de ter ocupado posições governativas, é como abrir um portal para os anos 80, quando o mercado desregulado e o recuo do Estado na economia apareceram como as ideias salvíficas de toda uma geração. Ora Truss nasceu em 1975, e em criança viveu bem longe, geográfica e ideologicamente, desse fenómeno chamado Margaret Thatcher, que agora quer emular. Nada que a tenha impedido de, aos nove anos, ter decidido pela personagem da Dama de Ferro numa peça de teatro na escola. A peça incluía um ato eleitoral completo, com cada criança a depositar um voto na urna e tudo. “Não recebi nem um voto, nem sequer votei em mim mesma”, conta Truss quando algum jornalista lhe pergunta se a ambição de ser chefe de Estado começou aí. É possível, mas o terror a ser vista como perdedora começou bem antes.