Internacional

Presidente do Parlamento Europeu e o apoio a Kiev: “Se é suficiente? Para mim, não é até a Ucrânia vencer a guerra”

2 setembro 2022 14:01

Ana França

Ana França

Jornalista da secção Internacional

thierry monasse/4see

Com 43 anos, Roberta Metsola é a mais jovem presidente do Parlamento Europeu (PE) de sempre e conserva algum espírito reformista, mesmo numa cidade, Bruxelas, que a própria descreve como “lenta”, metáfora para toda a União Europeia (UE). A conservadora maltesa quer mais sanções a indivíduos próximos de Vladimir Putin, não se comove com a restrição de vistos para turistas russos e não rejeita que o prazo para a aplicação do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) seja revisto, como Portugal já pediu à Comissão, desde que haja transparência na utilização dos fundos.

2 setembro 2022 14:01

Ana França

Ana França

Jornalista da secção Internacional

Já ultrapassámos os seis meses de guerra. As sanções são importantes, mas têm efeito a longo prazo. O que mais pode a UE fazer para enfraquecer a agressão russa?

Não é uma guerra entre dois países, é uma invasão de um por outro, e temo-nos esquecido de dizer isto vezes suficientes. As pretensões de Putin não pararam na Geórgia, não pararam na Crimeia. Se não for parado agora, vai continuar pela Moldávia, etc. O argumento da moral tem de estar sempre em cima da mesa, porque os europeus sabem, lembram-se, que é muito mais difícil enfrentar dificuldades quando estamos sozinhos do que todos em conjunto. O nível de sanções imposto não tem precedentes, há dois novos membros na NATO, há uma clara união. Fui eleita cinco semanas antes da guerra e, se alguém me tivesse dito que estas sanções iriam ser aprovadas com tanta rapidez, não teria acreditado. Vimos grande solidariedade, enviámos imediatamente armamento, ajudámos com a logística, houve ajuda financeira, solidariedade política, etc. Se é suficiente? Não é. Para mim, nada é suficiente até a Ucrânia vencer a guerra. Perguntará: o que significa “vencer a guerra”? O que não significa decerto é haver uma arma apontada numa única direção. Antes de poder haver negociação, os ucranianos têm de deixar de ser mortos.

Este é um artigo do semanário Expresso. Clique AQUI para continuar a ler.