Internacional

Angola: "Temos legitimidade para governar sozinhos, não precisamos de nenhuma ‘geringonça’”, diz líder do MPLA

29 agosto 2022 18:20

João Lourenço venceu um segundo mandato apesar de ter perdido Luanda para a oposição

paulo novais

João Lourenço minimiza a contestação da oposição aos resultados que lhe deram a vitória e afasta qualquer acordo com partidos derrotados nas eleições

29 agosto 2022 18:20

O líder do Movimento Popular de Libertação de Angola, João Lourenço, minimizou esta segunda-feira a contestação da oposição aos resultados que lhe deram a vitória e recusou qualquer “geringonça” ou acordo com partidos derrotados nas eleições de 24 de agosto.

“Eu posso e devo governar com toda a legitimidade que os eleitores conferiram ao MPLA e o seu candidato. A oposição contesta, mas há instituições adequadas para se fazer esta contestação. Eles que façam”, disse João Lourenço, o Presidente reeleito com maioria absoluta, segundo os resultados anunciados hoje pela Comissão Nacional Eleitoral (CNE).

“A lei prevê essas situações, tem prazos e vamos aguardar o que é que, neste caso, o Tribunal Constitucional, nas suas vestes de tribunal eleitoral, dirá sobre a contestação da oposição”, afirmou o líder do MPLA, num discurso na sede do partido que teve direito a perguntas dos jornalistas.

Questionado pela agência Lusa com a descida dos votos do MPLA e a contestação do principal partido da oposição, João Lourenço minimizou: “Nós temos legitimidade para governar sozinhos, não temos necessidade de fazer nenhuma ‘geringonça’”, numa alusão ao acordo do PS com o PCP e Bloco de Esquerda no passado recente em Portugal.

“As ‘geringonças’ são feitas quando o partido vencedor não tem votos suficientes para governar sozinho. Se me está a falar de uma ‘geringonça’, é melhor esquecer porque não haverá ‘geringonça’”, respondeu João Lourenço

“Quem ganha o penta só tem razões para abrir champanhe”, disse.

Vitória com 51,17% dos votos

João Lourenço, que concorreu a um segundo mandato, reagia assim ao anúncio dos resultados finais da Comissão Nacional Eleitoral (CNE) que deram vitória ao Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), com 51,17% dos votos, contra 43,95% da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA).

Questionando pelos jornalistas sobre a perda de votos, já que em 2017, o MPLA ganhou com 61%, João Lourenço negou que estes tenham sido os piores resultados de sempre, já que o partido saiu vitorioso.

“Não tivemos os piores resultados porque ganhámos, se nós tivemos os piores resultados, o que dirá a oposição que perdeu, que perdeu cinco eleições. Nós ganhamos o penta, quem ganha o penta só tem razões de abrir, no mínimo, cinco garrafas de champanhe”, disse o dirigente do MPLA, prosseguindo com um brinde.

João Lourenço sublinhou que o MPLA ganhou “de forma inequívoca”, desvalorizando a perda de Luanda para a rival UNITA pois tratava-se de eleições gerais, e não provinciais ou regionais “e muito menos autárquicas”.

“O que esteve em disputa era o lugar de Presidente da República e os lugares de deputados no parlamento”, afirmou, salientando que saiu vencedor o candidato do MPLA e que o partido garantiu uma maioria absoluta no parlamento.

“Qualquer concorrente não só quer mais como quer tudo, mas a vida não é bem assim, estou satisfeito com os resultados que os eleitores angolanos quiseram conferir quer ao MPLA quer a mim como candidato”, disse ainda.